Manoel Apolinário da Silva: o Tororó do Rojão

Há seis anos, parava de ecoar e irradiar a voz e a alegria de um dos maiores representantes do autêntico forró de raiz brasileiro: Manoel Apolinário da Silva, conhecido popularmente como Tororó do Rojão

Por: Felipe Sales, de Maceió, Alagoas

Nascido no povoado de Bateria, em Matriz do Camaragibe, região Norte de alagoas, Manoel Apolinário teve que iniciar no mundo do trabalho ainda menino. Aos 10 anos de idade, e depois da morte do pai, para ajudar a sua mãe Maria no complemento da renda familiar, Manoel foi obrigado a se submeter à limpa e ao arrume das canas de açúcar para as usinas, na cansativa dinâmica do trabalho canavieiro.

Apaixonado por futebol e habilidoso com as bolas nos pés, o então menino de engenho veria uma possibilidade de construir um futuro para além do corte da cana depois de uma partida de futebol no campo da usina, quando uma senhora, Nadir Pacheco, considerada por ele como uma segunda mãe, lhe convidaria para ser uma espécie de caseiro em sua casa em Maceió.

Chegando na capital alagoana teve contato com as letras, mas era pelo futebol que realmente se interessava. Chegou até a ser tricampeão pelo juvenil do Sport Club Alagoas em 1953, 54, 55, mas quis a realidade que ele fosse ser ajudante de mecânico e mecânico da Petrobras para logo depois tentar a vida no cenário musical.

Seu contato com a música popular vinha de criança, quando sua mãe, seu pai e seus cinco irmãos “formavam o pagode” cantando ciranda de roda em sua casa. Mas, seria no programa de calouro da Odete Pacheco, na Rádio Difusora de Alagoas, que ganharia o apelido que lhe acompanharia pelo resto da vida: Tororó do Rojão.

Suas referências musicais eram Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, com quem teve relações de camaradagem e Luiz Gonzaga, de quem foi motorista e com quem até chegou a tocar triângulo junto.

Tororó lançou quatro discos, dois LPs e dois CDs. Fazia um trabalhado musical autêntico, de raiz. Em suas produções poderia se encontrar xote, maxixe, xaxado, samba, coco de roda, folguedos, reisado e até chegança. Essa mistura de ritmo acabaria sendo identificada, mais tarde, como uma característica peculiar do forró alagoano, sem igual no mundo inteiro

Com uma presença de palco marcante e explosiva – é daí que surgiria o seu apelido, Tororó ganhou não só o Brasil, mas o mundo. Em uma apresentação especial dedicada aos músicos da Orquestra de Câmara de Moscou, em 1993, receberia ainda um outro apelido, dessa vez dado pelos Russos: de Chaplin do Forró, devido à sua desenvoltura no palco.

Apesar da baixa estatura, foi um gigante. Lutou pela musicalidade alagoana e pela valorização da cultura popular. Infelizmente, num dia como hoje, há 6 anos, Alagoas, o Brasil e o mundo perdiam sua irreverência, alegria e talento. Há seis anos, não mais seria possível ver a enorme presença de Tororó do Rojão, “Ô cabra bom!” nos palcos. Mas ficaram suas músicas e uma grande saudade.

Assista ao curta-metragem sobre Tororó do Rojão:

Discografia:

LPs

Tororó do Rojão e Nelson do Acordeom – Aqui Tem Forró (1979)

Segura Menino (1981)

CDs

O povo não quis acreditar (2004)

Sem Retoque (2007)

Foto: Renata Voss

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