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18 Junho, 2017
  • 70 anos do vôo da Asa Branca

    Por: Ohana Alencar, de Fortaleza, CE

    Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, gravou a música Asa Branca, escrita por ele e o parceiro Humberto Teixera, no dia 03 de março de 1947, completando, em 2017, 70 anos. A sandália de couro, o chapéu de lampião, o aboio do vaqueiro, a esperança do nordestino, a fé inabalável por dias melhores, a terra e a plantação como meio de vida, as brincadeiras de roda, as paqueras no forró, os dizeres do povo. Tudo isso Gonzagão levou para o Brasil e para o mundo. A voz dos esquecidos e de suas formas de resistir.

    Asa Branca foi o carro chefe de sua história. A letra representa as pessoas que, assim como as aves que no período da seca voam em busca de alimento e água, migravam em busca de dias melhores. A letra está repleta de esperança pela chuva, de amor pela “morena”, pelo verde da plantação, pela festa de São João, que é o simbolo dos trabalhadores do campo no Nordeste que comemoram os frutos das terra e da chuva.

    Além de cantar a chegada e a partida, Asa Branca é a chegada e a partida de um músico que saiu do seu torrão, Exu, no estado de Pernambuco, rumo ao Rio de Janeiro, para tentar viver da música. Assim como ele, muitos músicos de estilos, tons e cores diferentes, seguiram o mesmo caminho.

    As críticas sobre a música foram diversas, desde o desprezo de alguns sobre a considerada por eles pobreza musical de sua letra, até os aplausos de outros sobre a novo ritmo feito por Luiz, o baião. Para quem duvidou da música, a realidade foi avassaladora. A letra foi um sucesso absoluto, regravada mais de 25 vezes por artistas nacionais e internacionais, com diversas versões em coreano, japonês, inglês, italiano, entre outros. No ano de 2009, a Revista Rolling Stone Brasil elegeu Asa Branca a quarta música mais importante da história do Brasil. Atrás apenas de Construção (Chico Buarque), Águas de Março (Tom Jobim e Elis regina) e Carinhoso (Pixinguinha e Braguinha).

    Passados 70 anos, o Nordeste não é mais o mesmo, as idas e vindas dos nordestinos continuam a acontecer. Segue a sina de um povo trabalhador que migra por dias melhores. Para o povo brasileiro mais pobre, escutar Asa Branca, ou as músicas de Luiz Gonzaga é se enxergar, ver seu pai e sua mãe, ver a história contada por seus avós sobre a vida de idas e vindas. Talvez seja esse um dos motivos que faz de Asa Branca, uma senhora de 70 anos, ser tão atual.

    Termino o texto querendo passar o sentimento que Asa Branca passou para tantos sertanejos, a esperança.

    “Eu te asseguro
    Não chore não, viu
    Que eu voltarei, viu
    Meu coração” (Asa Branca – Luiz Gonzaga)

    Imagem: Biografia Luiz Gonzaga 

  • Em defesa da vida, petroleiros da REDUC fazem registro de ocorrência na delegacia e aprovam greve

    Por: Thalles Cahon, de Duque de Caxias, RJ

    Na última quarta-feira (14), os petroleiros de Duque de Caxias (RJ) aprovaram, com mais 93% votos, a realização de uma greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida. A mobilização questiona a redução de efetivo através da diminuição do número mínimo considerado necessário pela empresa para execução dos trabalhos.

    Neste mesmo dia, de acordo com as informações do Sindipetro Caxias, 46 trabalhadores foram à 60ª Delegacia de Polícia, em Campos Elíseos, em Duque de Caxias, acompanhados das advogadas do sindicato, para que fosse realizado um registro de ocorrência contra a gestão da REDUC, em decorrência da proposta de redução de pessoal nas áreas.

    “Os trabalhadores estão contrários à diminuição de efetivo imposta de forma unilateral, sem participação nem do sindicato, nem da CIPA. Esta situação coloca em risco a segurança, não somente dos que trabalham na planta, mas também da comunidade no entorno”, argumentou o técnico de operação e membro da CIPA da refinaria Marcello Bernardo.

    Foto: EBC