As tarefas da greve geral e das mobilizações em junho

Derrubar Temer, derrotar as reformas e impor as eleições diretas e gerais, já

Por: Gibran Jordão, de Brasília, DF
*membro da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas e da Coordenação Geral da Fasubra

As centrais sindicais reunidas nesta segunda-feira (05), pela manhã, definiram um calendário unificado de lutas. Marcaram um dia nacional de mobilização para 20 de junho e uma nova greve geral no dia 30 do mesmo mês. Diante da situação em que vive o país, o ideal seria uma nova greve geral de 48 horas, como defendeu a representação da CSP-Conlutas, mas não houve acordo entre as centrais sndicais e, depois de muito debate, foi possível acordar, entre todas, uma nova greve geral pelo Fora Temer e contra as reformas Trabalhista e da Previdência.

As experiências em construir a greve geral de abril e a recente marcha a Brasilia no dia 24 de maio provaram que a frente única entre as centrais tem sido o elemento decisivo para mobiliar milhões. Valorizamos muito essa decisão em marcar uma nova greve geral para fazer um enfrentamento à altura contra a ofensiva da burguesia que quer aprovar de qualquer jeito as reformas que retiram direitos no Congresso Nacional.

Outra importante reunião aconteceu em Brasilia, também nessa segunda-feira, chamada pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Teve adesão de várias centrais, sindicatos e organizações políticas, que definiram por lançar uma Frente Ampla pelas ‘Diretas, Já’ e nem um direito a menos. O objetivo dessa reunião foi lançar um amplo movimento pelas diretas, mas demarcando também a luta contra as reformas.

A maioria do povo brasileiro apoia o Fora Temer, é contra as reformas da Previdência e Trabalhista e não aceita que esse Congresso corrupto decida quem deve governar o país. Essas duas reuniões que aconteceram nessa segunda-feira refletem a evolução da luta de classes no país e o desejo de uma ampla base social formada por trabalhadores urbanos, camponeses, setores da classe média, ativistas das lutas contra as opressões e a juventude.

Estamos vivendo num momento que os dias valem décadas e, desde a greve geral de abril, até esse início do mês de junho, as crises política e econômica no país se aprofundaram. Já são mais de 12 milhões de desempregados e, a cada dia que passa, aparecem mais escândalos de corrupção envolvendo o governo Temer e o Congresso Nacional. Temer balança, mas não cairá sozinho. O Congresso tem dificuldades em aprovar as reformas, mas elas não serão arquivadas por mágica. A maioria do povo apoia as ‘diretas, já’, mas a eleição indireta será a saída, se não houver forte mobilização de rua.

Unificar as reivindicações sociais, econômicas e democráticas
Está crescendo no imaginário social o ódio de classe contra Temer e suas reformas e, diante da possível queda do governo, o desejo é por eleições diretas. É o que vemos nas ruas, nos locais de trabalho, nas escolas, nas manifestações, como também confirmam essa tendência todas as pesquisas de opinião pública. Esse sentimento é muito progressivo e devemos impulsioná-lo, ainda que possamos ter diferenças políticas entre os mais variados setores do movimento sindical e popular. Nesse momento decisivo da história do país e da luta de classes brasileira, seria um erro grave contrapormos a greve geral com o movimento pelas ‘diretas, já’. É tudo ao contrário, precisamos unificar as reivindicações sociais e econômicas com as bandeiras democráticas.

Por conta de conveniências eleitorais não podemos cair no erro oportunista de agitar as ‘diretas, já’ como a única tarefa dos trabalhadores nesse momento, secundarizando a luta contra as reformas e a greve geral como método de luta. Como também não podemos cometer o erro sectário de ignorar as reivindicações democráticas que são progressivas nesse momento e que podem impor uma derrota histórica para a burguesia que já negocia nos bastidores as eleições indiretas.

A greve geral e as mobilizações de rua que vão acontecer em junho possuem tarefas históricas as quais jamais podemos deixar nas mãos da direita e de setores do regime. É preciso que o movimento sindical e popular entrem em cena com tudo. Temer e o Congresso não vão recuar com as reformas, como também o STF e o judiciário não vão garantir uma saída democrática diante da crise política em que vivemos. A greve geral e as mobiliações de rua são métodos de luta da classe trabalhadora os quais precisam assumir tarefas e ter objetivos claros. E na conjuntura imediata brasileira o movimento dos trabalhadores precisa assumir sem vacilos a luta pela derrubada de Temer, para derrotar as reformas e impor eleições diretas para presidente a para o Congresso.

Caso o movimento de massas conseguir alcançar esses objetivos nos confrontos de rua que vão sacudir o país no próximo período, estaremos diante de um cenário no qual os trabalhadores poderão retomar a ofensiva. Mas, caso nos dividamos e não soubermos unificar as reivindicações sociais e democráticas que estão na boca dos trabalhadores, poderemos estar diante de uma derrota histórica.

Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

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