O apelo de Aécio ao PT

Por: Alexandre Zambelli, de Belo Horizonte, MG

Os grampos divulgados pela Polícia Federal nas últimas semanas trouxeram provas das várias articulações de interesses envolvendo o senador afastado Aécio Neves (PSDB). Na última semana, foi revelado que o mesmo pediu socorro até ao PT, através do deputado federal Gabriel Guimarães (PT/MG).

No áudio divulgado, Aécio pede uma intervenção do deputado para tentar segurar “o louco do Rogério Correia”, que estava articulando denúncias contra Aécio, envolvendo o esquema de propinas na estatal Furnas. Gabriel responde em tom animado, chamando o senador várias vezes de amigo. A íntegra do áudio pode ser conferida abaixo:


PT e PSDB, uma relação antiga
Não é de hoje que PT e PSDB articulam para defesa de interesses comuns. Em 2008, Aécio, que era governador de Minas Gerais e Fernando Pimentel, então prefeito de Belo Horizonte, anunciaram juntos o apoio à candidatura de Márcio Lacerda (PSB) para a sucessão de Pimentel na Prefeitura.

Apesar desta postura, à época, contrariar a orientação da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, esta nada fez contra a sequência de ações tomadas adiante por Pimentel. Pelo contrário, o mesmo continuou no partido e ainda se tornou ministro no governo Dilma e, hoje, ocupa o cargo de governador de Minas Gerais.

No que tange às doações eleitorais, os recentes escândalos de corrupção têm revelado que, para as empresas patrocinadoras, são “democráticas”. Não são poucas, dentre elas a JBS, que não pouparam doações aos dois partidos, seja por caixa um, ou dois.

Além disso, o deputado Gabriel Guimarães também é citado no acordo de delação premiada dos executivos da J&F, controladora da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. No caso do deputado Gabriel, é relatado o recebimento de R$200 mil em nota avulsa emitida por escritório que o tem em seu quadro societário.

Estamos em um processo complexo. Há lutas concretas pela derrubada do governo Temer. Vários setores do PT se somam a estas lutas, porém, grande parte o faz mais numa promoção do “Lula 2018”, retomando o ciclo de acordos que enfraquecem os trabalhadores. O exemplo mineiro deixa isso claro.

Hoje, no governo do estado, Pimentel pouco faz enquanto deixa seu braço repressor (a Polícia Militar) atuar livremente batendo nos movimentos sociais. O estado também enfrenta grave crise financeira, com seus servidores tendo salários parcelados há tempos, sem perspectivas de melhora. Por isso, neste momento, torna-se imprescindível a defesa de eleições diretas para presidente e Congresso, superando de vez estes acordos.

Foto: Opinião e Cidadania

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