Organizar a greve geral para derrubar Temer e ampliar a campanha pelas diretas

EDITORIAL 30 DE MAIO |

Uma semana que aumentou a crise do governo Temer. A vitoriosa Marcha Ocupa Brasília

O objetivo do governo de Temer era iniciar a semana passada demonstrando normalidade no funcionamento do parlamento. Particularmente, o trâmite das Reformas trabalhista e previdenciária. Seria um movimento de provar para a burguesia que o governo tem força para garantir a aprovação das reformas. O resultado foi exatamente o contrário.

A realização da Marcha Ocupa Brasília foi o grande evento político da semana. Se a delação da JBS abriu a atual crise e possibilidade de queda do governo, selando uma divisão de frações burguesas – com uma delas apoiando o movimento dos procuradores, juízes e Polícia Federal defendendo a mudança no atual sistema político e defendendo a queda do governo.

Pela primeira vez desde a abertura da crise atual (17 de maio), a classe trabalhadora deu uma demonstração importante de forças e atuação no cenário político. Uma grande manifestação de vanguarda em Brasília que teve impacto no desenvolvimento da crise do governo. A força do movimento que levou mais de 100 mil pessoas para Brasília, seu métodos radicalizados de luta, sua resistência durante horas. Gerou surpresa na polícia do Distrito Federal e no Governo.

Temer cometeu o grave erro de perante a força do movimento e o risco de ocupação do congresso emitir o GLO (Garantia da Lei e Ordem). O mecanismo de uso do exército para a garantia da ordem em Brasília. O decreto durou menos de 24 horas e apenas serviu para aumentar o desgaste do governo.

A oposição no parlamento aproveitando a marcha do Ocupa Brasília inviabilizou a Comissão de assuntos econômicos que discutiria a Reforma Trabalhista e a sessão da Câmara. Para piorar, um dos principais assessores de Temer, Tadeu Filippelli, foi preso acusado de desvio nas obras do Estádio Mané Garrincha em Brasília. Ainda na semana passada, o governo perdeu Sandro Mabel e a Presidenta do BNDES pediu demissão do governo.

A semana acentuou os traços de crise do governo. Surgindo em todos os meios de comunicação de maneira aberta a discussão do que vem depois de Temer. Ganha peso o julgamento do TSE, no dia 6 de junho, sobre a chapa Dilma/Temer e a defesa das eleições indiretas. A especulação sobre os nomes para a eleição indireta começou. Já existem movimentos de negociação sobre as saídas depois de Temer. O governo vai se enfraquecendo. A possibilidade de sua queda é uma realidade.

O show das diretas já no Rio de Janeiro

Não ocorreram depois da delação da JBS (17 de maio), movimentos espontâneos de massas da classe trabalhadora e da juventude pelo Fora Temer e por Eleições diretas.

O governo segue odiado pela maioria da população mas isso não significa disposição imediata de derrubar o governo pelas suas mãos. Aqui existe um elemento de contradição da realidade. A fração burguesa que se move apoiada  na operação lava jato, nos procuradores, juízes e na Polícia Federal tem popularidade na disputa das saídas para a crise. Um setor olha com expectativa os movimentos da lava jato e dos juízes e procuradores.

Neste sentido, foi muito importante as mais de 50 mil pessoas que foram no ato show pelas diretas no Rio de Janeiro. Foi uma ação organizada pelo PSOL do Rio de Janeiro. Teve a presença de artistas globais e grandes cantores brasileiros. O ato show foi um sucesso e abriu um novo momento na disputa da alternativa política para a eventual queda de Temer.

Está previsto para os próximos dias o lançamento da Frente Nacional pelas Diretas e a realização de iniciativas semelhantes a do Rio de Janeiro em outras capitais do país começando por São Paulo. É muito importante desenvolver o movimento e apontar uma saída democrática para a crise atual.

Frente à unificação da burguesia na defesa das eleições indiretas. Acreditamos que a melhor palavra de ordem para disputar uma saída para a crise que leva em consideração a questão democrática é a defesa de Eleições Diretas para Presidente e o Congresso (deputados e senadores). Essa é a palavra mais anti-regime hoje. Toda a burguesia está unificada na defesa de eleições indiretas para Presidente. A lutas pelas diretas para Presidente e o Congresso confronta a política da burguesia e o Congresso corrupto.

A reunião das Centrais Sindicais desta segunda-feira

As centrais sindicais indicaram greve geral para os dias 26 a 30 de junho. A data é apenas um indicativo, neste sentido não está garantida a realização da mesma. Ganha peso nos próximos dias a exigência as centrais sindicais majoritárias para a marcação da data da greve geral. Como também a construção da greve geral pela base. A data da nova reunião das centrais é 5 de junho, próxima segunda-feira.

A nossa aposta é desenvolver a luta dos trabalhadores em ascensão na conjuntura brasileira. As mobilizações de 8 de março, 15 de março, 31 de março e a Greve Geral do dia 28 de Abril mostraram a força da atuação da classe trabalhadora. O desenvolvimento da atuação independente dos trabalhadores e uma greve geral para derrubar Temer é o caminho que devemos apostar para uma saída da classe trabalhadora para a atual crise política.

Foto: Mídia Ninja

 

 

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