Primeiras reflexões sobre a manifestação em Brasília

Nesta quarta-feira, dia 24 de maio, o povo trabalhador e a juventude protagonizaram mais um grande dia. Milhares de pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios em uma manifestação nacional, organizada pelas centrais sindicais e movimentos sociais. Na pauta, a luta pela derrubada de Temer e suas reformas e por eleições diretas já.

Mais uma vez, a manifestação foi violentamente reprimida, tanto pela PM como pela Força Nacional de Segurança, que não permitiram que os manifestantes chegassem, de forma pacífica, na frente do Congresso Nacional. Já existe a informação de dezenas de manifestantes feridos, alguns gravemente. Um manifestante foi ferido com arma de fogo, o que é gravíssimo.

Porém, apesar de toda a repressão violenta, foi impossível abafar a força deste movimento. A manifestação repercutiu até dentro do Palácio do Planalto, onde fontes do próprio governo admitem que o número de manifestantes foi acima do esperado.

No Congresso Nacional, a força das ruas ajudou os parlamentares da oposição a impedirem, pelo menos até o momento, a votação das reformas reacionárias e de projetos de interesse do governo. A dita normalidade no funcionamento parlamentar foi, mais uma vez, “pelo ralo”.

Os acontecimentos de hoje na capital do país são mais uma demonstração de que o governo ilegítimo de Temer não tem mais como continuar. O envolvimento direto do presidente em mais um escândalo de corrupção, especialmente a partir da delação de executivos da JBS, e a sua agenda de reformas reacionárias, que quer jogar todo o peso da crise sobre os ombros do povo trabalhador colocam na ordem do dia a necessidade de derrubá-lo nas ruas.

A manifestação nacional de hoje foi mais um passo importante desta luta. Caso Temer caia, não aceitaremos uma eleição indireta para presidente. Esse Congresso Nacional formado por uma maioria corrupta e reacionária não tem nenhuma legitimidade para escolher um novo presidente.

Defendemos a saída imediata do presidente ilegítimo e a convocação e novas eleições diretas, tanto para presidente da república, quanto para o Congresso Nacional.

Temer decreta uso das Forças Armadas contra manifestantes

Enquanto uma multidão de trabalhadores e estudantes ocupava pacificamente o Eixo Monumental, o presidente ilegítimo assinou decreto autorizando o “emprego das Forças Armadas para garantia da Lei e da ordem no Distrito Federal”.

O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, convocou a grande imprensa para uma coletiva, onde afirmou que, atendendo a um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o presidente Temer estava autorizando o uso das Forças Armadas contra as manifestações.

Segundo o decreto, esta autorização é válida de hoje até o dia 31 de maio, e será o Ministério da Defesa que definirá a abrangência geográfica do uso das Forças Armadas dentro do Distrito Federal. Neste momento, segundo a grande imprensa, tropas do Exército já estão ocupando a área da Esplanada dos Ministérios. Esta medida, que já está sendo apelidada de “AI-1 de Temer”, em referência aos Atos Institucionais da ditadura militar, faz lembrar o pior dos “anos de chumbo” em nosso país.

Trata-se de mais um ataque brutal às garantias e liberdades democráticas do povo brasileiro. Não podemos aceitá-la de forma nenhuma. Sua adoção só pode ser explicada pela escalada antidemocrática que vem acontecendo nos últimos anos no Brasil, especialmente depois do golpe parlamentar que aprovou o impeachment.

A já limitada democracia dos ricos que existe em nosso país está agora ameaçada por medidas autoritárias e antidemocráticas, de caráter violento, como esta. Caso não sejam derrotadas, essas ações podem significar ataques ainda maiores aos movimentos sociais e ao povo trabalhador de conjunto.

Se essa medida absurda seguir válida, assistiremos a um terrível precedente jurídico: o uso das Forças Armadas para reprimir manifestações da classe trabalhadora e da juventude.

Centrais Sindicais devem marcar imediatamente uma nova Greve Geral

Depois da manifestação em Brasília, e para intensificarmos nossa luta, as centrais sindicais e movimentos sociais precisam definir imediatamente a data de uma nova Greve Geral para botar Temer para fora de vez, derrotar as reformas trabalhista e previdenciária e garantir eleições diretas.

Só uma nova Greve Geral, ainda mais forte do que a que realizamos no dia 28 de abril, poderá elevar a força de nosso movimento, impondo uma derrota significativa e definitiva ao governo ilegítimo.

Esta nova Greve Geral deve ser também uma resposta categórica e firme ao decreto de Temer autorizando o uso das Forças Armadas para reprimir o legítimo movimento de luta do povo brasileiro.

A unidade da esquerda socialista é decisivo

O dia de hoje mostrou que a unidade de todas as forças da classe trabalhadora é muito importante para lutar: sindicatos, centrais, movimentos populares – todos estávamos juntos enfrentando o governo e a repressão. Mas o dia de hoje demonstrou também, em particular, a importância da esquerda socialista. Especialmente nos momentos mais difíceis da resistência, a atitude da CSP-Conlutas foi muito importante. Isso mostra uma lição pro futuro. Além disso, precisamos apresentar uma alternativa política para o país. E nisso, infelizmente, não teremos acordo com a CUT, o PT e várias outras organizações, que apostam em uma reedição do governo Lula. Nós da esquerda socialista queremos superar a experiência petista, não repeti-la. Por isso, é hora de somar as forças do PSOL, do PSTU, do PCB, do MTST e dos movimentos sociais combativos na construção de uma Frente de Esquerda Socialista, que atue junto na luta e aponte uma saída estratégica para o país.

 

Foto: Lula marques/ AGPT

Comentários no Facebook

Post A Comment