Opinião | Por que devemos ir além das ‘Diretas, já’?

Por: Pedro Gava, do Comunismo e Liberdade/PSOL

Vejam bem.

Nem a classe dominante mais quer Temer no poder. A casa caiu e eles sabem que esse fantoche não dá mais. Depois dos 96% de impopularidade do golpista, a informação divulgada na tarde de ontem deixou claro que esse governo não irá mais se sustentar.

Rapidamente, os que mandam nesse país (e que provavelmente também foram pegos de surpresa), vão se movimentar para apresentar sua saída para a crise. De certo, contarão com a corja corrupta que ainda se mantém no Congresso Nacional e tentarão emplacar a famigerada eleição indireta de um novo gestor para seus negócios.

O programa, porém, permanece o mesmo: aprovar as contrarreformas que já estão em curso, sem o obstáculo representado pela explosiva impopularidade de Temer. Precisam de uma cara nova.

Diante dessa situação, qual saída devemos apresentar?

Certamente, em um primeiro plano urge a necessidade de deslegitimar e desautorizar, desde já, e por completo, esse Congresso Nacional como o sujeito de decisão desse processo. O destino do país, nesse momento crítico, não pode ficar nas mãos dos políticos que até ontem eram aliados de Temer e estavam votando e aprovando suas medidas impopulares.

Nesse sentido, somos todos por DIRETAS JÁ!

No entanto, será que essa saída pode representar, no atual estágio da nossa crise, a solução para os nossos problemas?

É fundamental registrar que, hoje, os ataques que a maioria da população está sofrendo partem não só da ilegítima Presidência da República. Partem também, e sobretudo, das duas casas legislativas nacionais: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

A chegada de um novo presidente da república não será capaz, por si só, de derrubar as contrarreformas e os ataques que estão colocados em pauta. Seja este novo presidente Lula, ou quem for.

É preciso, portanto, lembrar que esse Congresso Nacional é, além de corrupto, também corresponsável pelas aprovações das contrarreformas de Temer, que vêm sendo tocadas a toque de caixa e desprezando por completo a massiva rejeição popular. Não podemos ignorar este fato.

A “casa do povo” só poderá ser assim chamada quando de fato representar seus interesses.

Por enquanto, nossa exigência tem de ser mais profunda e englobar a saída de todo esse Congresso Nacional: queremos ELEIÇÕES GERAIS, JÁ!

Ao fim e ao cabo, o alto índice de impopularidade das contrarreformas previdenciária e trabalhista deve ser por nós utilizado para um chamado por uma AMPLA CONSULTA POPULAR (plebiscito) sobre a sua aprovação, ou não.

A soberania popular deve ser convocada a se manifestar contra todas as medidas de ataque que estão em curso e que afetarão as vidas da maioria do povo brasileiro.

É o povo que deve decidir!

Mas não devemos acreditar que a classe dominante desse país aceitará todas essas nossas exigências de cabeça baixa. Pelo contrário, já estão articulando sua saída pelo alto.

Para levarmos adiante nossas reivindicações, o povo precisa mostrar novamente a sua força, assim como fizemos no dia 28 de abril. É hora de uma NOVA GREVE GERAL!

VAMOS PARAR O BRASIL!

*O texto reflete a opinião do autor e, não necessariamente, do Esquerda Online.

Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

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