Crise Política: Por uma saída da classe trabalhadora e do povo

Editorial 19 de MAIO |

Temer não renunciou. O capital financeiro deu seu recado explícito: o dólar subiu 7,9%, a maior alta desde 2008 e a bolsa despencou. Eles querem a saída de Temer.

O único objetivo do presidente agora é fazer sua própria defesa jurídica. Este é o sentido de sua atitude nesta quinta-feira, quando buscou minimizar a delação da JBS. Temer sabe que não tem condições de governar. Ninguém o sustenta: nem a classe dominante, nem a grande imprensa e, muito menos. o povo.

O PSDB, ainda que oficialmente no governo, já não oferece qualquer garantia de estabilidade. Aécio Neves está no centro das denúncias, seus familiares e assessores estão presos. FHC sugeriu a renúncia de Temer em nota publicada hoje. O PPS já pulou fora do barco e deixou o governo. O PSB indicou o mesmo caminho: a entrega dos cargos no governo.

Temer pensa neste momento no foro privilegiado, e tenta ganhar tempo para negociar sua defesa. Está suspenso no ar.

Nenhuma confiança na Polícia Federal e no Judiciário

 Desde o início da Operação Lava Jato, ficou evidente que um setor da burocracia do Estado, um agrupamento de jovens procuradores, juízes e investigadores,  pouco conhecidos no mundo da política, trabalhava em colaboração íntima com a grande imprensa para uma reformulação do sistema político no Brasil. Suas ligações com o imperialismo norte-americano são evidentes, consultas, trocas de experiências e de tecnologia são explicitamente declaradas nos jornais.

Não depositamos nenhuma confiança nos procuradores, policiais, juízes e técnicos. Agora está claro que são inimigos de Temer, mas o inimigo do meu inimigo não é meu amigo. Para um marxista é decisivo entender os interesses de classe em jogo.

O dia de ontem marcou uma explícita divisão. De um lado, o PMDB de Temer, o Congresso Nacional e os partidos do regime. De outro, um setor da Polícia Federal, do Judiciário e do Ministério Público, que conta com um aliado poderoso: a grande imprensa, especialmente a Globo.

Nos próximos dias, eles tentarão construir um acordo nacional. O desfecho é imprevisível. A imprensa divulga análises em torno das eleições indiretas, que seria o caminho institucional em caso de vacância da Presidência.

Lutar por eleições diretas, já, para presidente e para o Congresso

A classe trabalhadora demonstrou sua força no dia 28 de abril, a greve geral teve impacto nacional e muito apoio popular. O povo não quer as reformas. A resistência ganhou a opinião pública, apesar  da propaganda diária do governo e da grande imprensa.

As reformas estão nos planos de todas as frações burguesas. O desmonte da Constituição de 1988 e dos direitos trabalhistas será o verdadeiro objetivo de um governo “técnico e imparcial”.  A reforma do sistema de partidos, que a Operação Lava Jato pretende fazer à fórceps,  representa uma reconfiguração do regime político burguês num sentido  antidemocrático. Estrategicamente, não está desconectada da aprovação das reformas. Ao contrário, seria útil para a classe dominante enfrentar os anos de crise e recessão sem grandes abalos políticos.

Por tudo isso, é decisiva a luta por eleições diretas para presidente e para o Congresso Nacional. As eleições diretas e gerais são a medida democrática mais progressiva que está ao alcance da classe trabalhadora neste momento. Representaria uma enorme derrota da burguesia e só pode ser conquistada com a luta direta da classe trabalhadora e do povo pobre.

A greve geral é nosso instrumento

No dia 24 de maio estaremos todos em Brasília. Construir os atos que ocorrerão neste domingo e também a marcha para a capital federal é uma tarefa muito importante. Precisamos massacrar a tentativa de setores da direita de disputar as ruas. MBL e Vem para a Rua precisam ser derrotados neste domingo, na Paulista. A rua é nossa, é do povo.

Mas, o instrumento mais poderoso para derrubar Temer e suas reformas é a greve geral. A crise política aumenta a responsabilidade das centrais sindicais em convocar um novo dia de greve, ainda para a próxima semana. Este é o caminho para conquistar as eleições diretas e gerais. A saída não virá do Congresso Nacional.

É urgente exigir das centrais sindicais majoritárias um novo dia de greve geral. O momento exige coragem e firmeza.

A Frente de Esquerda é nossa alternativa política

 A crise política é seríssima e a crise econômica também. São mais de 14 milhões de desempregados, num país que já carrega níveis brutais de desigualdade.

Não é possível conciliar os interesses dos trabalhadores e dos empresários. O projeto petista esteve no poder por 13 anos. Enganam-se aqueles que pensam que um novo governo Lula representará um novo ciclo de crescimento, com valorização do salário mínimo e ampliação do consumo. Nada mais distante da realidade. A economia mundial já não é a mesma, está mergulhada em uma profunda crise, e não permitirá Lula adotar qualquer medida progressiva sólida. E Lula sabe disso. Seu o objetivo é reeditar um programa que já demonstrou seu limite histórico, que entregou direitos, fez contra-reformas que atacaram conquistas, adotou leis repressivas, fez pactos com a direita e deixou ela se fortalecer e, no final, levou à situação que temos hoje.

Por isso, para tirar o país desta situação, é preciso muito mais do que a reedição do governo Lula. É preciso uma nova alternativa política, verdadeiramente de esquerda, que adote um programa anticapitalista de combate à crise. Nossa tarefa é construir essa alternativa política no calor das lutas. A unidade entre o PSOL, o PCB, o PSTU, o MTST e diversos movimentos sociais pode representar a construção de um projeto novo com coragem e independência para enfrentar o poder econômico.

 Foto: Marcos Correa/PR

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