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19 Maio, 2017
  • A luta dos de baixo e a consigna “Eleições Gerais e Diretas Já”

    Por: Bernardo Lima, de Belo Horizonte, BH

    Esse artigo tem a intenção de dialogar com toda a vanguarda engajada na luta contra as reformas, que tem feito greve e ido às ruas para derrotar o governo ilegítimo de Michel Temer e quer construir uma saída à esquerda para a crise política do país. Nós temos conseguido com nossa mobilização dificultar a aprovação das contrarreformas, e a esquerda socialista tem sido parte fundamental da construção da greve geral e das manifestações. Na próxima semana iremos à Brasília, junto com todo o movimento de massas, ocupar a capital e empurrar Temer para fora do poder.

    Um desfecho positivo para essa conjuntura polarizada de ataques e resistências depende da luta dos trabalhadores e do povo. A crise política na cúpula nos interessa única e exclusivamente por que é mais fácil derrotar a classe dominante se ela estiver dividida, porque ajuda a revelar a todo o povo o verdadeiro caráter do estado e das empresas, porque aumenta a possibilidade de uma ação verdadeiramente independe da classe trabalhadora. Consequente com isso, acreditamos que a estratégia da esquerda socialista passa centralmente pela mobilização independente das massas, pelo fortalecimento dos organismos operários e populares e pela unidade da luta da classe trabalhadora.

    A reforma da previdência vai passar? Haverá mais restrições às liberdades democráticas? Conseguiremos sair desse lamaçal de corrupção? Os ricos continuarão jogando a crise nas costas dos trabalhadores? A resposta da esquerda para essa questão é: depende do tamanho de nossa luta. Com mais greves gerais, com um presidente ilegítimo derrubado pelo povo, com a organização e consciência da classe avançando até uma política independente – o céu é o limite. Caso nossa luta retroceda, podemos esperar o pior. Nada de bom nos espera se abrirmos mão de nossa luta em prol deste ou daquele bloco burguês ou apostando em manobras parlamentares e investigações policiais.

    Colocar quem no lugar de Temer?

    O governo Temer nunca foi popular. Sua capacidade de implementar a reforma está diretamente ligada à sua insensibilidade às demandas dos trabalhadores. Ele governava porque tinha ao seu lado a maioria do Congresso e do Senado, além da sustentação da grande imprensa e da classe dominante que esperava que ele aprovasse as contrarreformas a toque de caixa. Como ele era fruto de um golpe parlamentar a imensa maioria do movimento de massas o considerou ilegítimo, se opôs à sua posse e trabalhou desde então para que caísse sob os gritos de “Fora Temer”.

    A PEC 287 da Reforma da Previdência elevou a luta a outro patamar. A maioria da população a rejeitou. Mesmo a Força Sindical, UGT e outras centrais que apoiaram o golpe foram empurradas para a luta contra Temer e uma nova conjuntura se abriu com as grandes mobilizações de rua que possibilitaram a greve geral do dia 28 de abril.

    Agora uma nova crise atinge o governo Temer, as gravações feitas pela Polícia Federal que provam que o presidente ilegítimo fazia parte de uma operação para manter Eduardo Cunha calado na cadeia minou as bases do governo. A Globo deu o furo de reportagem e pediu a renúncia do presidente, os partidos da base aliada começaram a abandonar o barco e, sem nenhum apoio popular, Temer ficou sem base para governar. Sua queda está colocada para já (ainda não esteja certa) e discute-se abertamente em todos os círculos quem será seu sucessor.

    As massas olham para todos os lados e não sabem em quem confiar. Discutem política nas fábricas, bares e igrejas e sempre surge a dúvida: quem colocar no lugar de Temer? Uns falam desesperançados. Outros reanimando suas expectativas em Lula e no PT. Tantos outros esperam resolver os problemas do país com um presidente “apolítico” como Dória ou Huck. A principal alternativa à esquerda do petismo é a Frente de Esquerda e Socialista, mas essa ainda é bem minoritária.

    Poucos enxergam uma alternativa à esquerda por fora da democracia liberal burguesa. A consciência de classe é muito pequena, abalada pelas experiências fracassadas do passado. Não existem organizações consolidadas de trabalhadores e do povo organizadas no chão das fábricas. Os sindicatos estão enfraquecidos e afastados de suas bases, quando não estão completamente corrompidos pelo burocratismo. A maior central do país ainda é ligada ao petismo. Quase não existem comitês de base nas fábricas, bancos, escolas e outros locais de trabalho.

    Como responder essa pergunta tão frequente em conjuntura tão delicada?

    Diretas x Indiretas

    Devido à divisão dos representantes da burguesia no parlamento e à incerteza do resultado de uma eleição presidencial, a principal aposta da burguesia após uma provável queda de Temer é fazer cumprir a Constituição: eleições indiretas para um mandato tampão. O que ela quer desse novo governo? Que aprove de uma vez por todas as contrarreformas. O novo governante, provavelmente um “técnico”, não viria do meio político. Tal qual Temer, não teria preocupações com popularidade, ou expectativas de reeleição e aplicaria as reformas “até o final”.

    A esquerda socialista deve ser consequente com a política do “Fora Temer” e lutar para que o povo decida através de eleições diretas, imediatamente. A burguesia não quer ir às urnas agora pois teme um descontrole do processo eleitoral e a politização das massas. Uma eleição neste momento necessariamente seria pautada pelas reformas e o povo estaria de ouvidos abertos para medidas alternativas aos ataques em curso. Uma eleição conquistada nas ruas, contra a vontade da classe dominante, não é uma eleição normal.

    Numa eleição desse tipo a esquerda socialista poderia se apresentar unificada em uma candidatura própria, com um programa oposto ao da direita e ao do PT, e batalhar por engrossar suas fileiras e ganhar setores de massas para a suspensão do pagamento da dívida, o fortalecimento da previdência, a execução das dívidas das empresas sonegadoras, a reestatização da Vale, a reversão do processo de desmonte da Petrobrás, etc.

    Eleições Gerais para derrubar o Congresso corrupto

    A consigna de “Diretas Já” apenas não é suficiente na atual conjuntura. O Congresso Nacional que implementou o golpe parlamentar e está destruindo os direitos trabalhistas a toque de caixa não tem legitimidade para terminar seu mandato. Estão quase todos envolvidos nos esquemas de corrupção, não possuem apoio popular e precisam cair junto com Temer.

    Por isso, as eleições que defendemos também se estende ao Congresso e ao Senado. Queremos o direito de opor os candidatos da esquerda socialista aos atuais corruptos. Queremos que a atual legislatura seja considerada ilegítima e indigna. Não realizar novas eleições gerais significaria trocar apenas o chefe do executivo e manter os parlamentares atuais aplicando suas contrarreformas. Seria uma vitória pela metade. Não há argumentos capazes de explicar por que Temer é ilegítimo e o congresso que o colocou lá não.

    Por Um Governo dos Trabalhadores e do Povo

    No Encontro que formou o MAIS em julho do ano passado definimos que o programa para o Brasil passava pela defesa de um governo dos trabalhadores e do povo. Achamos que somente um governo de aliança entre os trabalhadores e os setores populares do campo e da cidade através de seus organismos democráticos pode levar até o final um programa socialista, revolucionário e internacionalista. Porém, essa parte de nosso programa que algumas organizações revolucionárias também defendem ainda não está colocada para a ação. Os trabalhadores ainda não criaram seus próprios organismos de poder, ainda não existe uma mobilização tão massiva nos setores populares que coloque em cheque todo o regime e, não menos importante, estamos longe de ter uma direção revolucionária a cabo de realizar esta tarefa.

    Nessas condições as palavras de ordem de governo das organizações operárias ainda são abstratas e imprecisas. “Poder popular”, “operários no poder” e “governo dos trabalhadores e do povo” servem apenas como uma declaração de intenções futuras. É o objetivo pelo qual lutamos. Quando perguntados por alguém sobre quem achamos que deveria governar o país podemos sim responder: os próprios trabalhadores. Mas estaríamos mentindo se disséssemos que está colocado substituir Michel Temer, que precisa cair já, por esse tipo de alternativa.

    A Esquerda Socialista precisa defender “Eleições Gerais e Diretas Já”

    É por isso que acreditamos que toda a esquerda socialista deveria defender a realização de “Eleições Gerais e Diretas” nas ruas, nas tribunas e nos fóruns do movimento. Essa palavra de ordem tem a capacidade de ganhar as massas de trabalhadores que desejam a queda de Temer, mas não querem a volta da Dilma, e ficam desconfiados de que as lutas que travamos agora são “coisa do PT”.

    A realização de eleições neste momento significa uma derrota para a burguesia, interrompe o golpe e permite que a esquerda socialista faça o combate programático tanto contra a direita quanto com o projeto de conciliação de classes.

    Obviamente aqueles que são marxistas sabem que as eleições, mesmo com novas regras, levarão inevitavelmente a um novo governo da classe dominante. Sabemos desde já que, vencendo Lula ou um candidato da direita, teremos que continuar lutando em defesa de nossos direitos e ganhando cada vez mais jovens e trabalhadores para a luta pelo socialismo. A tarefa de construir a direção revolucionária e impulsionar a mobilização das massas é permanente. E enquanto não tivermos um governo realmente operário e popular seguiremos lutando para que todo o poder seja transferido para os trabalhadores. Essa constatação estratégica não deve nos cegar para a importância de derrubar Temer, barrar as reformas e conquistar eleições gerais e diretas já.

    Como diz um provérbio chinês: “Uma caminhada de mil léguas começa sempre com o primeiro passo”.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

     

  • 21 de Maio: Saiba onde serão os protestos pelo Fora Temer em todo o país

    Da Redação

    Neste domingo (21), milhares devem ir às ruas nas principais cidades do país para pedir a imediada saída de Temer da Presidência da República e a realização de eleições diretas. Na maioria, este é o segundo ato após a divulgação do envolvimento de Temer em escândalo de corrupção. O peemedebista anunciou que não irá renunciar, em pronunciamento oficial nesta quinta-feira (18). Com isso, movimentos sociais pretendem intensificar as mobilizações.

    Confira os locais e horários do protesto em todo o país: 

    São Paulo – 15h, MASP
    Belo Horizonte – 9h, no Circuito Liberdade
    Campo Grande – 9h, Praça Ary Coelho
    Diamantina – 9h, Largo Dom João
    Uberlândia – 9h30, Praça Tubel Vilela
    Goiânia – 10h, Praça do Trabalhador
    Porto Alegre – 10h, Redenção – Parque Farroupilha
    Feira de Santana – 13h, bar Mangueira
    Campos dos Goytacazes – 14h, calçadão de Campos
    Piracicaba – 14h, Praça José Bonifácio
    Marília – 14h, Prefeitura de Marília
    Campo Mourão – 14h, Praça José Campo Mourão
    Fortaleza – 15h, Estátua de Iracema
    Santa Bárbara – 15h, Teatro Municipal Manoel Lyra
    Blumenau – 16h, Prefeitura de Blumenau
    Pato Braco – 16h, Praça Presidente Vargas
    Araçatuba – 16h, Praça Getúlio Vargas
    Hortolândia – 16h, Praça São Francisco de Assis
    Palmas – 16h, Praça dos Girassois

    Rio de Janeiro – 14h, no metrô de São Conrado

    Outros países
    Westmount – Canadá – 14h, Westmount Square
    Dublin – Irlanda – 14h, Phoenwx Park
    Bogotá – Colômbia – 16h, Plaza de Bolivar
    Nova Iorque – EUA – 17h30, Union Square Park

    Foto: Julia Gabriela

  • Mais um ato de Intolerância em manifestação pelo Fora Temer, em Goiânia

    Por: Hemanuelle Jacob, de Goiânia, GO

    Atos pela saída de Temer foram articulados em várias cidades do Brasil e em Goiânia a concentração da manifestação teve início por volta das 16h, na Praça do Bandeirante, no Setor Central. Reuniu integrantes do Fórum Goiano contra as Reformas da Previdência e Trabalhista, composto por centrais sindicais, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e entidades representativas da sociedade civil.

    O Fórum Contra a Reforma da Previdência e Contra a Reforma Trabalhista está sendo articulado em várias capitais brasileiras e tem como objetivo principal barrar o avanço destas reformas que colocam a classe trabalhadora para pagar o preço mais alto da crise do capital.

    A manifestação foi organizada por meio de redes sociais na noite de quarta-feira (17), logo quando o jornal “O Globo” divulgou informações sobre a delação dos irmãos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, que disseram que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso na Operação Lava Jato.

    O ato interceptou vias alimentadoras da cidade. O objetivo era chamar a atenção da população para os últimos acontecimentos políticos do cenário nacional, assim como instigar na população o interesse pela renúncia do então presidente Michel Temer e pelas eleições diretas.

    Como se não bastasse o último ocorrido com o estudante Matheus, no último ato do dia 28 de abril, que quase ocasionou em sua morte pela força policial de Goiás, também tivemos mais um triste episódio de intolerância e violência. Um casal de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foi atropelado por uma motorista que insistiu em furar o bloqueio feito pelos manifestantes, em uma atitude de irresponsabilidade.

    O marido da jovem atropelada, Daniel Semão, de 31 anos, se machucou para tentar salvar a companheira, Andreza Carneiro, de 21. O casal estava no protesto com o filho de três anos e a mãe de Andreza, Araci Carneiro. No momento da confusão, a criança do casal estava com a avó. “Meu filho estava no meu colo pouco antes. Graças a Deus dei pra ela e, em seguida, aconteceu a loucura toda”, disse Daniel a um jornal local.

    Após o incidente, foi feito um cordão de isolamento por manifestantes com o objetivo da motorista não fugir do local enquanto outro grupo socorria o casal. A condutora do carro e um passageiro, que não tiveram os nomes divulgados, foram retirados do veículo e escoltados pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar. Em seguida, a mulher foi levada para a Central de Flagrantes de Goiânia e vai responder por tentativa de homicídio, já que a mesma teria outra opção que não o atropelamento.

    Nos noticiários dos principais jornais onlines de Goiás a maioria das pessoas que se manifestaram sobre a atitude da motorista concordou com sua ação, demonstrando uma infeliz realidade de intolerância e falta de esclarecimentos sobre os acontecimentos políticos, assim como as consequências destes acontecimentos para a população mais pobre.

    Ainda temos um longo caminho a trilhar sobre os direitos de se manifestar e a luta por uma sociedade justa, pois sabemos que atitudes como a desta motorista e do policial, que também teve a intenção de matar Matheus, porém não responde por isso, acontecem em todo o Brasil. Mas, temos a tranquilidade de que nesse momento em que o país vive uma grande crise política, senão a maior vivida pela democracia brasileira, temos que ter acima de tudo serenidade para convencer, esclarecer, informar nosso pares, os trabalhadores, de que a luta não está perdida e nem ganha, sem perdermos a ternura e mais do que nunca, nos unir, pois o inimigo, nosso, dos trabalhadores, não são outros trabalhadores, mas sim esse governo que só ganha com ações como essa.

    Foto: Reprodução G1

  • Desarticulação predomina nas alturas e manifestações de massa podem derrubar o governo

    Por: Henrique Carneiro, colunista do Esquerda Online

    Há um tipo de análise que tende ao simplismo na análise da situação política brasileira, nos dois vértices opostos da sua mesma lógica. Essa lógica é a que busca enfatizar os elementos conspiratórios, manipuladores, planificados da situação, quando o que predomina é uma desorganização dos agentes políticos em curso.

    Para alguns, a Lava Jato é um plano golpista do imperialismo estadunidense aliado a grupos de extrema-direita como o MBL, articulados com um “partido da Mídia”, e tendo por veículos um extrato do judiciário e da PF com definição ideológica reacionária, cujo eixo é o antipetismo e que utilizam arbitrariedades e prisões preventivas como método.

    Para outros, a Lava Jato é uma radicalização “tenentista” de setores do judiciário e da PF, imbuídos de uma legítima indignação cívica e republicana contra a manutenção de esquemas estruturais de corrupção no Estado brasileiro, mesmo com suas sucessivas revelações ao longo das últimas décadas com os escândalos de Collor, de FHC, do Mensalão, que permaneciam invulneráveis e resilientes por meio de uma parceria público-privada regida majoritariamente pelo bloco governante do PT e PMDB, mas do qual o bloco da oposição de direita do PSDB também participava.

    A busca de uma lógica conspiratória que unifique a ação dos agentes num plano coerente é uma sedução fácil do senso comum e até mesmo das análises mais impressionistas.

    Aparentemente, há um golpe parlamentar bem articulado que utiliza o clima das revelações da Lava Jato e dos protestos de massas como pano de fundo, mas utiliza um pretexto banal, como as pedaladas fiscais, para justificar o impeachment. Hoje, no entanto, o articulador mor do golpe está preso e o beneficiário maior em vias de também ser defenestrado.

    O ex-adversário de Dilma, do maior partido da oposição de direita, também caiu em desgraça, já perdeu o mandato temporariamente e a irmã está presa.

    Dado o seu destino posterior, há de se supor que a evolução do golpe em curso não fazia parte dos planos nem de Cunha, nem de Temer e nem de Aécio.

    As listas dos delatados da Odebrcht, OAS e JBS já abrangem a maior parte do parlamento, inclusive os dois da linha sucessória, Maia e Oliveira. Um membro do próprio Ministério Público já caiu preso também delatado. A operação Lava Jato se desdobrou em outras e não se sabe até onde ela pode chegar.

    Buscar explicações sociais e econômicas para os fenômenos políticos é um método indispensável para buscar entender as relações entre as práticas e as representações políticas.

    Nesse sentido, a concretização de reformas anti-populares a serviço dos interesses de maior rentabilidade do grande capital seria o objetivo fundamental do golpe em curso. Mas, na verdade, o golpe apenas aprofundou o que já havia antes. O programa de ataques à Previdência, aos direitos trabalhistas, de terceirização, de endurecimento da legislação anti-protestos populares já vinha desde quando Dilma e Temer ainda eram parceiros leais.

    O programa neoliberal de um estado a serviço da renda do capital financeiro por meio da política de altos juros e de alto endividamento estatal e de apoio às formas mais predatórias de incentivo à mineração, ao agronegócio e ao programa de destruição da Amazônia e de suas populações indígenas vem sendo o mesmo, em essência, desde FHC até Dilma/Temer.

    Claro, as matizes importam. O que Dilma começou a fazer nos seus últimos dois anos foi pior do que fizeram antes, ou do que Lula fez. Houve concessões sociais maiores no período lulista em relação ao poder aquisitivo salarial e a programas sociais. O que Temer começou a aprovar com suas “reformas” é bem pior do que havia antes. Mas, agora, o impasse criado para a continuidade das reformas pela própria operação Lava Jato e sua derivada, a operação Patmos, joga contra o governo e pode chegar a derrubá-lo.

    Se o objetivo maior do consenso burguês é o aprofundamento de reformas antipopulares, que retire renda dos trabalhadores transferindo-a para o capital, e se o motivo do golpe contra Dilma foi porque ela já não tinha base social para poder aplicá-los, o mesmo ocorre hoje, em ainda maior grau, contra Temer. Afinal, Dilma ainda teve quem a defendeu nas ruas. Quem fará isso por Temer?

    Existem conexões entre o que fazem os membros do MP, do STF, da Lava Jato, dos partidos, das instituições internacionais? Sim, claro, tudo tem alguma relação, mas no caso presente, me parece que o que mais se verifica é a perda da capacidade destes agentes tecerem planos articulados entre si.

    Em outras palavras, tanto a burguesia, como as instituições políticas e jurídicas estão confusas e desarticuladas.

    O protagonismo social está aberto para as manifestações de massa.

    Será preciso outro texto para refletir sobre o caráter, os desafios e os conflitos que a mobilização de massas trará ao cenário político em curso.

    Foto: Julia Gabriela

  • Opinião | Fora Temer, já

    Por: Alexandre de Oliveira Barbosa e Marcelo Badaró Mattos, da NOS

    O governo Temer agoniza. Na noite de ontem o vazamento da notícia de gravações feitas pelos donos do frigorífico JBS que envolvem Michel Temer e Aécio Neves recebendo de propina caiu como uma bomba.

    O presidente que chegou ao poder através de um golpe parlamentar vem encaminhando em seu governo ataques duríssimos à classe trabalhadora. Acumulamos a opinião que o futuro desse governo sempre esteve vinculado ao ritmo das (contra)reformas – trabalhista e da previdência em especial. As manifestações iniciadas com 8M até culminar com a greve geral de 28 de abril abalaram a confiança da burguesia em Temer. A greve geral foi poderosa e balançou o Brasil, mas será necessário ampliar o patamar de lutas para barrar as (contra)reformas.

    Agora Temer foi pego com a “boca na botija”, envolvido em esquemas de propinas. Neste momento, o STF abriu inquérito contra o presidente complicando ainda mais a situação de Temer. As novas denúncias contra Temer tornam insustentável sua permanência à frente da presidência da república.

    Analistas políticos da grande imprensa já falam de Temer como sendo “carta fora do baralho” e discutem abertamente alternativas. Em sua maioria defendem que deverão ocorrer eleições indiretas “para que se respeite a constituição”. Essa eleição indireta, segundo a lei, seria convocada pelo presidente da Câmara, que exerceria interinamente a presidência, devendo realizar-se até um mês após o afastamento. Não há consenso jurídico sobre quais seriam suas regras. A burguesia tentará construir um nome “limpo”, vindo da “sociedade civil” ou mesmo do judiciário para aprovar as reformas num mandato tampão.

    A partir de agora vivemos quase uma contagem regressiva contra o presidente. Temer pode renunciar, pode ser impedido ou pode cair via TSE no processo que corre contra ele e Dilma. O fato é que o governo está ruindo. Ainda é cedo para entendermos exatamente o que levou a isso. As ameaças pessoais de prisão de empresários saíram do controle do esquema judiciário/mídia e a delação vazou por esse descontrole? Um setor da burguesia optou por derrubar o presidente e busca com isso salvar as (contra)reformas? Ou elementos das duas hipóteses?

    Foto: Pablo Henrique

    Da nossa parte cabe seguir apostando nas mobilizações como nossa principal arma, porque o ataque aos direitos dos trabalhadores não vai sair da agenda. As eleições indiretas constituem um golpe dentro do golpe, pois serão mais uma tentativa da burguesia em aprovar as (contra)reformas através de um presidente com mandato ilegítimo. Por isso defender eleições gerais e diretas é fundamental. Embora as eleições não fujam aos limites do regime democrático burguês, no quadro atual é o regime que constrói as eleições indiretas. A alternativa das diretas é, por isso mesmo, a maior ameaça ao regime hoje.

    A crise deve paralisar o processo de tramitação das (contra)reformas por algum tempo, mas devemos seguir lutando contra esses ataques, pois elas seguem como principal proposta unificadora da burguesia na conjuntura e sabemos que se aprovadas significarão um retrocesso de cem anos em perdas de direitos.

    Apesar desses fatos terem vindo à tona a partir de vazamentos de processos judiciais não devemos ter ilusões no judiciário. Hoje o papel do judiciário é central na manutenção do regime político e esse papel deve ser reforçado com a queda de Temer. Daí também a importância de chamarmos as Diretas Já, esvaziando o papel de “árbitro” que o STF tenta assumir.

    Lula não é alternativa para a classe trabalhadora, pois um eventual retorno do PT pode significar simplesmente a opção pela realização das mesmas (contra)reformas através de um governo dotado de maior controle sobre as organizações sindicais e movimentos sociais. Por isso, devemos intensificar nossa intervenção na luta de classes, exigindo das centrais uma nova greve geral para derrotar o governo e suas reformas. E propor a construção de uma Frente de Esquerda Socialista, como alternativa eleitoral e de direção das lutas de massas, que seja a expressão de uma proposta de governo dos trabalhadores.

    A Frente terá que apresentar um programa de suspensão imediata da tramitação das (contra)reformas trabalhistas e da previdência e revogação de todas as medidas nefastas do governo golpista, como a “PEC do fim do mundo”, a MP da reforma do ensino médio, as privatizações e a liberação completa das terceirizações. A classe trabalhadora não pode continuar pagando pela crise: é hora de reverter o jogo, exigindo que o 1% pague, com imposto sobre as grandes fortunas, cobrança das dívidas das empresas com a previdência, suspensão do pagamento e auditoria da dívida pública e estatização do sistema financeiro. É hora de ir pras ruas e colocar Temer para fora com um programa que unifique a classe trabalhadora para lutar já!

    *O texto reflete a opinião dos autores e não necessariamente do Esquerda Online.

  • Temer não cairá sozinho

    Por: Yuri Lueska, do ABC paulista

    Ontem, dia 18, foi um dia longo, onde, além de ter-se movido, inúmeras peças do tabuleiro político, é possível identificarmos dois equívocos que permeiam a esquerda brasileira. No decorrer das horas, todas e todos compartilhavam opiniões, avaliações e especulações políticas. Não havia quem não esperava o pronunciamento do presidente Temer. Este pronunciamento, marcado inicialmente para a manhã, atrasou, remoendo ainda mais a ansiedade coletiva. Muitas e muitos estavam certos: Temer já não era mais presidente. Infelizmente, a realidade e a política não costumam ser impressionadas por si mesmas.

    Foi às 16h que o presidente frustrou a expectativa nacional. Dois enfáticos “eu não renuncio” espantaram os mais céticos. O defunto foi em rede nacional comunicar que estava vivo. Após o anúncio presidencial, se conformaram manifestações Brasil a fora, onde destaca-se as ocorridas no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belém. O dia terminou com repressão na capital fluminense e em outras cidades.

    Hoje, sexta-feira, passado os turbilhões do “dia D”, podemos perceber claramente um reposicionamento das peças. Tanto o Grupo Folha, quanto o Estadão, em seus editoriais e posições oficiais, já abandonaram o campo a favor da queda de Temer. Literalmente, privilegiam a aplicação das reformas à moral da República. Já a Rede Globo, entusiasta ontem da queda de Temer, mas avessa a cavalos de pau, hoje rifa o bandido do Aécio, mas está mais amena em relação ao presidente. O campo governista encontra-se muito frágil, mas não morto. Articula-se para uma guerra de vida e morte.

    Uma coisa podemos afirmar. Temer encontra-se numa das crises mais graves enfrentadas por um presidente brasileiro, e, perdeu a capacidade moral de permanecer no cargo e aplicar as reformas. Mas, não podemos afirmar que cairá sozinho, como uma fruta madura. E aqui entram dois erros que a esquerda brasileira têm, e que deve refletir.

    Em primeiro lugar, consolidou-se em todos nós um fervoroso impressionismo. Vivemos na era da notícia em tempo real. Furos jornalísticos sucedem furos anteriores, acompanhados de comentários em tempo real. Quem consegue manter um aparato compatível com tais furos é a grande imprensa, cuja natureza é inquestionavelmente impressionista. Ou seja, destacam um elemento da realidade e isolam este – com objetivo midiático – desfigurando a realidade.

    Que a grande mídia é assim é uma constatação. O problema é que, muitas vezes, alimentados por tal característica, nós acabamos por incorporar de tal atributo, correndo de um lado para o outro, conforme o impressionismo do momento pede. Temos que nos lembrar que a paciência é a principal qualidade dos que têm pressa. Não existe atalhos na luta de classes. Os momentos políticos exigem tarefas e firmeza. Precisão e calma são atributos indispensáveis para vencer cada leão imposto.

    Em segundo lugar, o fortalecimento do poder judiciário, e sua politização, tornou hábito no nosso país de este interferir no poder político. Mais que isso, acostumou-se entre os populares esperar que este o substitua nas suas tarefas. Que a população pense assim, serve para atentarmos para a necessidade da disputa ideológica. Temos que explicar pacientemente que o poder judiciário não é aliado do povo brasileiro, mas sim seu inimigo. Terceirizar a tarefa para este é entregar a arma a um inimigo fantasiado de cordeiro. O problema mais grave não está aí. Mas sim, no fato de que – em alguns casos inconsciente, em outros conscientes – a vanguarda da classe trabalhadora, suas correntes e principais ativistas acreditam que as ações do judiciário são suficientes. Esquecemos que o país vive uma disputa inter-burguesa. Conformamos que basta nos diferenciarmos. Esquecemos do bom e velho trabalho de base.

    Temer está na corda bamba. Está frágil e machucado, mas não está morto. Acreditar que o presidente ilegítimo está prestes a morrer, que é uma questão de tempo, é dar o direito de este recuperar-se. Temer não cairá sozinho. Precisa ser derrubado. Não nos cabe agora festejar, nos cabe militar. E muito.

    Foto: Julia Gabriela

  • OAB RJ defende PEC das eleições diretas e decreta luto oficial até saída de Temer da Presidência

    Da Redação

    A seção da Ordem dos advogados do Brasil, do Rio de Janeiro, se reuniu em sessão nesta quinta-feira (18), para discutir as denúncias noticiadas na imprensa, que colocam o então presidente Michel Temer (PMDB) sob suspeita de envolvimento em escândalo de corrupção. O órgão, entre as suas decisões, defendeu a paralisação das reformas em curso, concedeu ao presidente da entidade legitimidade para que, em nome do conselho, sejam tomas medidas no sentido do afastamento do de Temer e apoio à PEC 227/2016, que permite convocação de eleições diretas. Também, decretou luto oficial da seccional, que deverá ficar iluminada na cor preta “até o efetivo afastamento do senhor Presidente da República, Michel Temer”.

    Abaixo, divulgamos a íntegra da nota

    NOTA OFICIAL DA OAB/RJ

    O Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro, em sessão ordinária realizada no dia 18 de maio de 2017, quando foram discutidos os graves fatos noticiados pela imprensa brasileira acerca do possível envolvimento do senhor presidente da República, Michel Temer, com a corrupção endêmica que assola o país e é hoje investigada pela operação Lava-Jato resolve:

    1) Pelo entendimento de que não há outra saída para o país senão a discussão e a implementação de uma reforma política que verdadeiramente permita a separação entre os interesses públicos e privados;

    2) Defender a paralisação de todas as reformas em curso, tendo em vista a patente ausência de legitimidade do senhor presidente da República para liderar este processo;

    3) Outorgar ao presidente da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, a representação para que adote quaisquer medidas que tenham por objetivo o afastamento do presidente da República, Michel Temer, em nome deste Conselho, na sessão extraordinária do Conselho Federal da OAB que se realizará no dia 20 de maio de 2017, em Brasília;

    4) Apoiar a PEC 227/2016, que possibilita a restauração da legitimidade democrática, que neste momento só pode ser obtida através de eleições diretas para a Presidência da República, devolvendo ao povo o protagonismo que lhe pertence;

    5) Adotar luto oficial pela OAB/RJ, com a consequente iluminação do prédio da Seccional na cor preta, até o efetivo afastamento do senhor Presidente da República, Michel Temer.

    Rio de Janeiro, 18 de maio de 2017.

    Foto: Júlia Gabriela

  • Crise Política: Por uma saída da classe trabalhadora e do povo

    Editorial 19 de MAIO |

    Temer não renunciou. O capital financeiro deu seu recado explícito: o dólar subiu 7,9%, a maior alta desde 2008 e a bolsa despencou. Eles querem a saída de Temer.

    O único objetivo do presidente agora é fazer sua própria defesa jurídica. Este é o sentido de sua atitude nesta quinta-feira, quando buscou minimizar a delação da JBS. Temer sabe que não tem condições de governar. Ninguém o sustenta: nem a classe dominante, nem a grande imprensa e, muito menos. o povo.

    O PSDB, ainda que oficialmente no governo, já não oferece qualquer garantia de estabilidade. Aécio Neves está no centro das denúncias, seus familiares e assessores estão presos. FHC sugeriu a renúncia de Temer em nota publicada hoje. O PPS já pulou fora do barco e deixou o governo. O PSB indicou o mesmo caminho: a entrega dos cargos no governo.

    Temer pensa neste momento no foro privilegiado, e tenta ganhar tempo para negociar sua defesa. Está suspenso no ar.

    Nenhuma confiança na Polícia Federal e no Judiciário

     Desde o início da Operação Lava Jato, ficou evidente que um setor da burocracia do Estado, um agrupamento de jovens procuradores, juízes e investigadores,  pouco conhecidos no mundo da política, trabalhava em colaboração íntima com a grande imprensa para uma reformulação do sistema político no Brasil. Suas ligações com o imperialismo norte-americano são evidentes, consultas, trocas de experiências e de tecnologia são explicitamente declaradas nos jornais.

    Não depositamos nenhuma confiança nos procuradores, policiais, juízes e técnicos. Agora está claro que são inimigos de Temer, mas o inimigo do meu inimigo não é meu amigo. Para um marxista é decisivo entender os interesses de classe em jogo.

    O dia de ontem marcou uma explícita divisão. De um lado, o PMDB de Temer, o Congresso Nacional e os partidos do regime. De outro, um setor da Polícia Federal, do Judiciário e do Ministério Público, que conta com um aliado poderoso: a grande imprensa, especialmente a Globo.

    Nos próximos dias, eles tentarão construir um acordo nacional. O desfecho é imprevisível. A imprensa divulga análises em torno das eleições indiretas, que seria o caminho institucional em caso de vacância da Presidência.

    Lutar por eleições diretas, já, para presidente e para o Congresso

    A classe trabalhadora demonstrou sua força no dia 28 de abril, a greve geral teve impacto nacional e muito apoio popular. O povo não quer as reformas. A resistência ganhou a opinião pública, apesar  da propaganda diária do governo e da grande imprensa.

    As reformas estão nos planos de todas as frações burguesas. O desmonte da Constituição de 1988 e dos direitos trabalhistas será o verdadeiro objetivo de um governo “técnico e imparcial”.  A reforma do sistema de partidos, que a Operação Lava Jato pretende fazer à fórceps,  representa uma reconfiguração do regime político burguês num sentido  antidemocrático. Estrategicamente, não está desconectada da aprovação das reformas. Ao contrário, seria útil para a classe dominante enfrentar os anos de crise e recessão sem grandes abalos políticos.

    Por tudo isso, é decisiva a luta por eleições diretas para presidente e para o Congresso Nacional. As eleições diretas e gerais são a medida democrática mais progressiva que está ao alcance da classe trabalhadora neste momento. Representaria uma enorme derrota da burguesia e só pode ser conquistada com a luta direta da classe trabalhadora e do povo pobre.

    A greve geral é nosso instrumento

    No dia 24 de maio estaremos todos em Brasília. Construir os atos que ocorrerão neste domingo e também a marcha para a capital federal é uma tarefa muito importante. Precisamos massacrar a tentativa de setores da direita de disputar as ruas. MBL e Vem para a Rua precisam ser derrotados neste domingo, na Paulista. A rua é nossa, é do povo.

    Mas, o instrumento mais poderoso para derrubar Temer e suas reformas é a greve geral. A crise política aumenta a responsabilidade das centrais sindicais em convocar um novo dia de greve, ainda para a próxima semana. Este é o caminho para conquistar as eleições diretas e gerais. A saída não virá do Congresso Nacional.

    É urgente exigir das centrais sindicais majoritárias um novo dia de greve geral. O momento exige coragem e firmeza.

    A Frente de Esquerda é nossa alternativa política

     A crise política é seríssima e a crise econômica também. São mais de 14 milhões de desempregados, num país que já carrega níveis brutais de desigualdade.

    Não é possível conciliar os interesses dos trabalhadores e dos empresários. O projeto petista esteve no poder por 13 anos. Enganam-se aqueles que pensam que um novo governo Lula representará um novo ciclo de crescimento, com valorização do salário mínimo e ampliação do consumo. Nada mais distante da realidade. A economia mundial já não é a mesma, está mergulhada em uma profunda crise, e não permitirá Lula adotar qualquer medida progressiva sólida. E Lula sabe disso. Seu o objetivo é reeditar um programa que já demonstrou seu limite histórico, que entregou direitos, fez contra-reformas que atacaram conquistas, adotou leis repressivas, fez pactos com a direita e deixou ela se fortalecer e, no final, levou à situação que temos hoje.

    Por isso, para tirar o país desta situação, é preciso muito mais do que a reedição do governo Lula. É preciso uma nova alternativa política, verdadeiramente de esquerda, que adote um programa anticapitalista de combate à crise. Nossa tarefa é construir essa alternativa política no calor das lutas. A unidade entre o PSOL, o PCB, o PSTU, o MTST e diversos movimentos sociais pode representar a construção de um projeto novo com coragem e independência para enfrentar o poder econômico.

     Foto: Marcos Correa/PR

  • Opinião | Por que devemos ir além das ‘Diretas, já’?

    Por: Pedro Gava, do Comunismo e Liberdade/PSOL

    Vejam bem.

    Nem a classe dominante mais quer Temer no poder. A casa caiu e eles sabem que esse fantoche não dá mais. Depois dos 96% de impopularidade do golpista, a informação divulgada na tarde de ontem deixou claro que esse governo não irá mais se sustentar.

    Rapidamente, os que mandam nesse país (e que provavelmente também foram pegos de surpresa), vão se movimentar para apresentar sua saída para a crise. De certo, contarão com a corja corrupta que ainda se mantém no Congresso Nacional e tentarão emplacar a famigerada eleição indireta de um novo gestor para seus negócios.

    O programa, porém, permanece o mesmo: aprovar as contrarreformas que já estão em curso, sem o obstáculo representado pela explosiva impopularidade de Temer. Precisam de uma cara nova.

    Diante dessa situação, qual saída devemos apresentar?

    Certamente, em um primeiro plano urge a necessidade de deslegitimar e desautorizar, desde já, e por completo, esse Congresso Nacional como o sujeito de decisão desse processo. O destino do país, nesse momento crítico, não pode ficar nas mãos dos políticos que até ontem eram aliados de Temer e estavam votando e aprovando suas medidas impopulares.

    Nesse sentido, somos todos por DIRETAS JÁ!

    No entanto, será que essa saída pode representar, no atual estágio da nossa crise, a solução para os nossos problemas?

    É fundamental registrar que, hoje, os ataques que a maioria da população está sofrendo partem não só da ilegítima Presidência da República. Partem também, e sobretudo, das duas casas legislativas nacionais: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

    A chegada de um novo presidente da república não será capaz, por si só, de derrubar as contrarreformas e os ataques que estão colocados em pauta. Seja este novo presidente Lula, ou quem for.

    É preciso, portanto, lembrar que esse Congresso Nacional é, além de corrupto, também corresponsável pelas aprovações das contrarreformas de Temer, que vêm sendo tocadas a toque de caixa e desprezando por completo a massiva rejeição popular. Não podemos ignorar este fato.

    A “casa do povo” só poderá ser assim chamada quando de fato representar seus interesses.

    Por enquanto, nossa exigência tem de ser mais profunda e englobar a saída de todo esse Congresso Nacional: queremos ELEIÇÕES GERAIS, JÁ!

    Ao fim e ao cabo, o alto índice de impopularidade das contrarreformas previdenciária e trabalhista deve ser por nós utilizado para um chamado por uma AMPLA CONSULTA POPULAR (plebiscito) sobre a sua aprovação, ou não.

    A soberania popular deve ser convocada a se manifestar contra todas as medidas de ataque que estão em curso e que afetarão as vidas da maioria do povo brasileiro.

    É o povo que deve decidir!

    Mas não devemos acreditar que a classe dominante desse país aceitará todas essas nossas exigências de cabeça baixa. Pelo contrário, já estão articulando sua saída pelo alto.

    Para levarmos adiante nossas reivindicações, o povo precisa mostrar novamente a sua força, assim como fizemos no dia 28 de abril. É hora de uma NOVA GREVE GERAL!

    VAMOS PARAR O BRASIL!

    *O texto reflete a opinião do autor e, não necessariamente, do Esquerda Online.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Congresso Nacional aprova Medida Provisória que intensifica desmatamento no Pará

    Por: Will Mota, de Belém, PA

    No dia 16 de maio, os deputados federais aprovaram a Medida Provisória 756, editada pelo ilegítimo Michel Temer (PMDB), que reduz a área da Floresta Nacional (FLONA) do Jamanxim, localizada no município de Novo Progresso, no sudoeste paraense. A área da FLONA reduziu de 1,3 milhões de hectares para 561 mil hectares. Isso permite que uma área com três vezes o tamanho da cidade se São Paulo seja explorada economicamente, sobretudo pela mineração e por empresários que pretendem construir uma ferrovia, que deverá ligar Sinop (MT) ao Porto de Miritituba (PA), para escoar a produção de soja.

    Trata-se de mais um golpe do atual governo e desse Congresso de corruptos, que têm como plano para a Amazônia o saque e a pilhagem dos recursos naturais da região em detrimento do meio ambiente e das populações tradicionais.

    É importante que os movimentos sociais denunciem amplamente essa política nefasta do governo de reduzir as áreas legalmente protegidas e se engajem na luta em defesa da Amazônia. Pela revogação da MP 756 e nem um hectare a menos.

    #NemUmHectareaMenos

    Foto: Brasília – Oposição abre faixa de protesto durante sessão da Câmara dos Deputados que aprovou a MP 758/16 que reduz limites de floresta nacional no Pará Antonio Cruz/Agência Brasil