Temer diz ‘Não renunciarei’, mas governo não tem mais sustentação

Da Redação

Quem acompanha as notícias sobre o escândalo envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) estava esperando pelo pronunciamento oficial do peemedebista. Vai haver renúncia, ou não? Essa era a pergunta que faziam milhões de brasileiros.

Em breve depoimento nesta quinta-feira, o presidente anunciou: “Não renunciarei”.

A notícia da delação foi uma bomba. Desde a noite de quarta-feira (17) abriu-se uma forte crise política no país. O presidente Michel Temer anunciou, inicialmente, que falaria às 16h. Os assessores do presidente eram categóricos: não haveria renúncia. O mesmo era defendido pelos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

No entanto, não há qualquer condição política de Temer continuar no governo. Além da impopularidade, de 71% de reprovação antes mesmo dos escândalos, agora, até a base aliada começa a dar as costas. Ministros do PSDB já estão com carta preenchida para pedir afastamento. O primeiro a anunciar saída foi Bruno Araújo, do Ministério das Cidades. Os ministros do PPS acabam de renunciar aos seus ministérios.

Deputados de oposição entraram com o pedido de Impeachment de Temer. O mesmo foi feito por deputados do PSDB, há pouco, mesmo sem ter anunciado oficialmente a saída da base aliada.

Em todo o Brasil estão sendo organizados protestos. Logo após o anúncio da denúncia contra Temer, aconteceram atos em São Paulo e em Brasília. Hoje, a maioria das capitais terá manifestações que podem dar o tom da resposta da população. Pedem a saída imediata de Michel Temer e eleições diretas, já.

Nem mesmo a grande imprensa coloca como factível a continuidade do governo. No entanto, coloca como única alternativa a possibilidade de eleição direta. Nesse caso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM e investigado por crimes de corrupção, seria o sucessor. As saídas de cima tentam impossibilitar uma decisão pela base, como um processo eleitoral. Querem trocar as peças, mas continuar no jogo. Temer, no entanto, apesar de insistir, não tem condições de continuar.

Os próximos dias terão um peso decisivo. As mobilizações de 18 e 21 de maio, o Ocupa Brasília no dia 24 de maio e a possibilidade de Greve Geral abrem a possibilidade dos trabalhadores e do povo brasileiro derrubarem esse governo e derrotarem seu projeto de reformas. A luta por uma saída independentes dos trabalhadores passa por fortalecer e impulsionar essas mobilizações. Vamos para as ruas derrubar esse governo e suas reformas!

Leia o pronunciamento na íntegra: 

“Solicitei, aliás, oficialmente, acesso a esses documentos, mas até esse presente momento não o consegui. Quero deixar muito claro dizendo que o meu governo viveu nessa semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, retorno de crescimento da economia e geração de empregos criaram esperança de dias melhores. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo um imenso esforço de tirar o país de recessão pode se tornar inútil. Não podemos jogar por fora. Somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário. Em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado, não comprei o silêncio de ninguém. Porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público, ou foro especial. Sempre honrei meu nome e nunca autorizei que utilizasse o meu nome indevidamente. Quero registrar enfaticamente. A investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as investigações. Não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para esclarecimentos do povo brasileiro. Se foram rápidos nas gravações clandestinas, não podem tardar na solução. Tanto esforço e dificuldades superadas, meu compromisso é com o Brasil. E é esse compromisso que me guiará”. 

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