Declaração do BDS da Palestina no dia da Nakba

Por: Editoria Mundo

No dia em que se recordam 69 anos do começo oficial da Nakba palestina em 1948, publicamos a declaração do principal movimento de solidariedade com os palestinos, o BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções). O momento não poderia ser mais decisivo. Mais de 1600 prisioneiros palestinos completam 29 dias de greve de fome por melhores condições em suas prisões, enfrentando a repressão, a intimidação, a tentativa de desmoralização com falsos vídeos, tentando quebrar a greve. No mundo todo cresce a solidariedade, no momento da arrogância do estado sionista e do governo mais racista de sua história, amparado pelos ventos racistas e guerreiros que vêm de Washington. Mas a coragem e a resistência do povo palestino despertam uma solidariedade imensa de todos os que lutam contra a injustiça social e política.

Defender nossos direitos, resistir à Nakba continua

É possível…
É possível pelo menos às vezes…
É possível especialmente agora
Montar em um cavalo
Dentro da cela da prisão
E fugir…
É possível que os muros da prisão
Desapareçam.
Para que a cela se torne uma terra distante
Sem fronteiras

– Mahmoud Darwish

Hoje é o 69º aniversário da Nabka de 1948, a expulsão em massa dos palestinos de sua terra. Entre 1947 e 1949, os paramilitares sionistas e subsequentemente as forças israelenses transformaram entre 750,000 e um milhão de palestinos autóctones em refugiados e estabeleceram um estado com maioria judia na Palestina.

O   Comitê Nacional Palestino pelo Desinvestimento e Sanções chama as pessoas de consciência ao redor do mundo a intensificar ainda mais as campanhas pelo BDS para acabar com os vínculos de cumplicidade acadêmicos, culturais, esportivos, militares e econômicos com o regime de ocupação, colonialista de povoamento e de apartheid de Israel. Esse é o meio mais eficaz de estar ao lado do povo palestino em busca de seus direitos inerentes e estipulados pela ONU e de resistir de forma não violenta à contínua e intensificada Nakba.

O regime israelense está hoje perseguindo de forma impiedosa a estratégia única de seu regime de colonialismo de povoamento – a simultânea pilhagem e colonização de tanta terra palestina quanto seja possível e a limpeza étnica gradual de tantos palestinos quantos seja factível sem evocar sanções internacionais.

A Nakba continua – e também a resistência

Seguindo o modelo de todos os governos israelenses anteriores, o atual governo de extrema-direita, o mais abertamente racista de toda a história de Israel, está seguindo as palavras do líder sionista Ze’ev Jabotinsky, que escreveu em 1923: “Toda população nativa no mundo resiste aos colonos enquanto houver a menor esperança de ser capaz de se ver livre do perigo de ser colonizada. […] A colonização sionista precisa ou parar ou então prosseguir sem consideração pela população nativa. O que significa que ela pode continuar e se desenvolver somente sob a proteção de um poder que seja independente da população nativa – atrás de um muro de ferro, que a população nativa não possa romper.”

Sessenta e nove anos após a sistemática e premeditada expulsão da maioria dos árabes palestinos autóctones da Palestina nas mãos das gangues sionistas, e depois pelo estado de Israel, a Nakba não acabou.

Israel planeja construir seu “muro de ferro” nas mentes dos palestinos, não somente nas nossas terras, ao espalhar colônias e muros de concreto no território palestino ocupado, seu  cerco genocida de mais de dois milhões de palestinos em Gaza, sua negativa aos direitos dos refugiados palestinos de retornar, suas leis e políticas racistas contra os palestinos dentro de Israel, e sua crescente e violenta limpeza étnica em Jerusalém , no Vale do Rio Jordão e no Naqab (Negev).

Não poupa nenhuma brutalidade em suas tentativas incessantes e desesperadas de incutir em nossa consciência a futilidade da resistência e inutilidade da esperança.

Aumentar o preço da cumplicidade

A atual greve de fome massiva de mais de 1000 prisioneiros palestinos nas prisões israelenses e o apoio popular que ela despertou nos dá esperanças.

O crescente apoio ao BDS entre os sindicatos do mundo, incluindo a recente adoção pela Confederação Norueguesa de Sindicatos (LO) – representando mais de 900  mil trabalhadores – de um “boicote internacional econômico, cultural e acadêmico de Israel” para obter os direitos palestinos, nos enche de esperança.

O fato que nenhum dos 26 indicados ao Oscar a quem foi oferecida uma viagem grátis no valor de US$ 55 mil pelo governo israelense aceitou o presente propagandístico e que seis  entre 11 jogadores da Liga Nacional de Futebol Americano recusaram uma viagem gratuita similar oferecida por Israel no dá esperança.

O movimento pelo BDS teve êxito em elevar o preço da cumplicidade corporativa com os crimes de Israel contra o povo palestino. Obrigou companhias do tamanha da Orange e da Veolia a terminar sua cumplicidade e obrigou à gigante G4S a começar a sair do mercado israelense.

Igrejas, câmaras de vereadores e milhares ao redor do mundo declararam seu apoio em boicotar a Hewlett-Packard (HP) por sua profunda cumplicidade com a ocupação e o apartheid israelense. Isso dá grandes esperanças aos que lutam pelos direitos humanos em todo o mundo.

A decisão da prefeitura de Barcelona de acabar com a cumplicidade com a ocupação israelense, vindo na esteira de dezenas de câmaras de vereadores no estado espanhol que se declararam como “zonas livres do apartheid israelense”, nos dá esperança.

O desinvestimento de algumas das maiores igrejas dos EUA, incluindo a Igreja Metodista Unida, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Presbiteriana dos EUA e a Igreja Unida de Cristo,  de bancos israelenses ou corporações  cumplices com Israel nos dá esperança.

A disseminação de campanhas de BDS notavelmente eficazes da África do Sul à Coreia do Sul, do Egito ao Chile, e do Reino Unido aos EUA, nos dá esperança.

Uma luta internacional

As crescentes coalizões intersetoriais que estão surgindo em muitos países, reconectando organicamente a luta pelos direitos palestinos com as diversas lutas internacionais por justiça racial, econômica, de gênero, climática e dos povos indígenas, nos dão esperança.

Em 1968, 20 anos depois da Nakba, mas sem relação com ela, o Dr. Martin Luther King, Jr. disse, “Não pode haver justiça sem paz e não pode haver paz sem justiça”. Por sete décadas, e contra todas as adversidades, os palestinos continuaram afirmando seu direito inalienável à autodeterminação e à paz genuína, que só pode advir da liberdade, justiça e igualdades.

Mas para atingir tal paz justa nos demos conta que precisamos fomentar nossa esperança por uma vida digna com nosso compromisso pleno de resistir à injustiça, resistir à apatia e, fundamentalmente, resistir aos “muros de ferro” da desesperança.

Nesse contexto, o movimento global de BDS liderado pelos palestinos com seu crescimento impressionante e impacto inquestionável é hoje um componente indispensável de nossa resistência popular e a forma mais promissora de solidariedade internacional com nossa luta por direitos.

Nenhum muro de ferro deles pode suprimir ou obscurecer o sol nascente de nossa emancipação

O Comitê Nacional Palestino pelo BDS (BNC) é a maior coalizão da sociedade civil palestina. Ela lidera e apoia o boicote global por desinvestimento e sanções. Visite nossa página  bdsmovement.net e siga-nos no Twitter em @BDSmovement.

 

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