Justiça suspende páginas do facebook do movimento social da USP

Luiz Tombini, de São Paulo, SP

Ontem, 10 de Maio,  o movimento estudantil e dos trabalhadores da USP foi surpreendido com a noticia de que algumas páginas de entidades estudantis e sindicais estavam fora do ar. Por conta dos administradores das páginas, soubemos que se tratava de uma movimentação política e judicial. Pelo menos quatro páginas de entidades foram derrubadas: DCE livre da USP, CAELL, CEUPES e Sintusp.

Essa ação foi movida judicialmente por João Roberto Gomes de Farias, professor do curso de Letras e ex vice-diretor da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), alegando que essas páginas faziam uso indevido de sua imagem, atacando a sua moral, por conta de um episódio no ano de 2016.

O episódio a que o professor se refere é a reunião de negociação do movimento social da universidade, que fazia uma greve por cotas e permanência, com a diretoria da FFLCH. Essa reunião havia sido chamada pela própria diretoria.

No dia em questão esse mesmo professor grita com os manifestantes presentes, inclusive, fazendo agressões verbais à uma ativista trabalhadora da USP e pertencente ao Núcleo de Consciência Negra, que teve sua presença questionada na reunião. O ataque a sua moral seria o repúdio feito pelas páginas das entidades à sua agressão.

A suspensão das páginas ocorreu após a sentença de 03 de abril que condena um estudante e o Facebook a pagarem uma indenização de 10 mil reais ao professor, e também o Facebook a retirar das páginas o conteúdo dos posts em relação ao episódio. Diante da sentença, o Facebook não tirou apenas os posts e sim as páginas da entidade do ar.

Toda essa movimentação só reafirma a arbitrariedade do Poder Judiciário no nosso país. Enquanto, estudantes, trabalhadores e militantes negros são perseguidos nessa Universidade por exercer seu direito de manifestação, a burocracia universitária segue atacando nossos direitos, os espaços dos estudantes e trabalhadores e negligenciando a pauta de inclusão, reparação histórica ao povo negro e democracia nessa universidade.

Por isso, a única saída dessa burocracia é tentar calar a nossa voz, limitando os espaços de difusão das ideias. Não querem que os estudantes saibam o que de fato acontece na Universidade, mas não vão nos intimidar. Hoje, 11 de maio, o movimento estudantil da USP fará uma Assembleia Geral às 18 horas na Prainha da ECA. Estaremos presentes mais uma vez na luta contra a repressão e a criminalização aos movimentos sociais.

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