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MOVIMENTO

Após greve geral histórica, é hora da Baixada Santista ocupar Brasília no dia 24!

Por: Leandro Olimpio, de Santos

Na manhã da última segunda-feira (8), na sede do Sindipetro Litoral Paulista, em Santos, dirigentes sindicais da Baixada Santista se reuniram, pela primeira vez, após a greve geral de 28 de abril. A greve foi realizada em todo o país contra a terceirização e as reformas da previdência e trabalhista do governo Temer.

Convocado pela Frente Sindical Classista da Baixada Santista, o encontro teve a participação de representantes de sindicatos e centrais sindicais que atuam na região. O diagnóstico, em consenso, foi de que a greve geral foi um sucesso. E seria difícil discordar desta análise.

Desde as primeiras horas da madrugada de 28 de abril, a Baixada já era afetada pela greve geral. Os pátios de ônibus municipais e intermunicipais deixaram de liberar ônibus à meia-noite. As ruas ficaram sem transporte até o início da tarde, gerando um forte impacto na rotina das cidades. A impressão era que, de fato, não se tratava de um dia comum da semana, mas de feriado.

Dirigentes sindicais, com o apoio de membros de movimentos sociais e trabalhadores de categorias organizadas, fecharam a partir das 5 horas da manhã os principais acessos das cidades de Guarujá, Santos, São Vicente e Cubatão.

Trabalhadores de categorias que se prepararam previamente para a mobilização, algumas por meio de assembleias que deliberaram pela adesão à greve e outras por meio de plenárias e seminários, foram parte importante do dia 28. Destaque para os petroleiros, metalúrgicos, químicos, portuários, bancários, rodoviários, servidores estaduais, federais e municipais. Todos, em alguma medida, conseguiram se incorporar nas atividades e construir a greve nas ruas.

Por isso, apesar do impacto gerado pelos trancamentos das vias públicas, seria um erro apontar que a greve só foi bem sucedida por esse método de luta, como aconteceu em outras mobilizações recentemente. A passeata realizada no início da tarde nas principais ruas do centro de Santos, logo após a concentração dos grevistas na Praça Mauá, demonstrou isso. Cerca de 3 mil pessoas, entre trabalhadores, estudantes e membros de movimentos sociais, expressaram o sucesso da unidade construída a partir das iniciativas da Frente Sindical junto às demais entidades sindicais.

Ocupar Brasília no dia 24!

Em reunião na última semana, as centrais sindicais do país definiram que o próximo passo para pressionar o governo Temer a recuar nos ataques é ocupar Brasília no dia 24 de maio. Embora seja “apenas” no fim do mês, esta iniciativa exigirá de todos os lutadores e, principalmente, das direções sindicais um esforço muito grande para garantir uma mobilização histórica, com caravanas de norte a sul do país. O fato é que temos poucos dias para organizar o #OcupaBrasília.

Diante deste quadro, é fundamental o papel da Frente Sindical Classista e demais entidades da região para garantir o envolvimento da Baixada Santista nesta mobilização. É preciso iniciar a organização de uma caravana unitária que consiga lotar o maior número possível de ônibus rumo à capital do país. Para isso, torna-se indispensável a convocação de uma reunião ampla dos sindicatos com todos os lutadores da região – estudantes, movimentos sociais, trabalhadores das mais diversas categorias – para organizar a ida a Brasília.

Além de garantir a estrutura financeira e logística, tarefa de fundamental importância que já se apresenta como um desafio, é preciso ir além. É necessário, desde já, iniciar uma ampla divulgação deste ato nas categorias, nas universidades, nas escolas, para convencer o maior número possível de pessoas a partir rumo a capital do país contra a retirada de direitos.

A assembleia geral de 26 de abril, realizada com mais de 300 pessoas para organizar a greve geral na região, é um exemplo bem sucedido que pode e deve ser repetido. Ali foi possível reunir com grande representatividade diversos setores da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e do movimento estudantil.

“Nossa opinião é de que era possível construir o protesto em Brasília e, paralelamente, indicar desde já a data de uma nova greve geral, mais forte, de até 48 horas, para pressionar Temer. Mas uma vez que a data não foi definida, cabe a nós mergulhar de cabeça na construção do #OcupaBrasília. Cabe a nós seguir com uma forte resistência. A Baixada Santista demonstrou uma grande disposição de luta, sendo uma das regiões mais afetadas pela greve geral em todo país. É preciso aproveitar essa energia e canaliza-la para a construção de uma caravana histórica rumo a Brasília”, opinou Raphael Guedes, professor da rede estadual de ensino e militante do MAIS na Baixada Santista.