Um ano do golpe parlamentar, um ano de retrocessos

Editorial 18 de abril

Existem dias que ficam, para sempre, na memória. Alguns felizes, outros nem tanto. O 17 de abril de 2016, dia da sessão da Câmara dos Deputados que votou o afastamento de Dilma Roussef (PT) e abertura do Impeachment, ficará marcado para uma geração como o dia da infâmia, da misoginia, da Lgbtfobia, da corrupção, do ódio aos trabalhadores, do ódio à esquerda, um dia com a cara de Jair e Eduardo Bolsonaro (PSC) e de um Congresso de corruptos. Quem não se lembra da cena horripilante do deputado dos confetes?

Não foi um dia com a cara do povo brasileiro. Não foi como as mobilizações das ‘Diretas, já’, ou como as ‘caras pintadas’ do ‘Fora Collor’. Os interesses mais profundos dos trabalhadores e dos setores mais oprimidos não estavam representados naquela barbárie que presenciamos na TV, pelo contrário, o golpe era contra os explorados e oprimidos, era contra nós. Todos sentiram na pele o avanço da burguesia sobre nossos direitos, inclusive o direito ao futuro, tão importante para a nossa juventude. Não por acaso, em setembro de 2016, esse setor deu o primeiro grito nas ruas pelo Fora Temer.

Por que gritamos “Golpe”?
O regime político brasileiro, o presidencialismo de coalizão exige, para a retirada do Presidente da República, a existência de crime de responsabilidade. A eventual perda de maioria no Congresso Nacional não pode ser motivo para a derrubada do governo pelo parlamento. Poderia ser, caso fosse um regime parlamentarista. Não é o caso do Brasil.

A manobra parlamentar reacionária foi um golpe parlamentar porque foi orquestrado sem crime de responsabilidade, por um Congresso Nacional corrupto, em conluio com o imperialismo, a grande burguesia brasileira e os grandes meios de comunicação. As classes médias, rompidas com os governos petistas, foram a base social de massas para o golpe.

Atônitos pelas medidas de ajuste fiscal que Dilma Roussef (PT) e Joaquim Levy aplicaram no início de 2015, logo após ela ser eleita, mas com outro programa, além das denúncias da Lava Jato, fizeram com que os trabalhadores assistissem desacreditados ao desenlace final do golpe parlamentar. O PT pagou caro por anos de adaptação à colaboração de classes. Foi incapaz de mobilizar sua base histórica.

Sempre estivemos na Oposição de Esquerda dos governos Lula e Dilma. Nossa estratégia é a superação dos governos petistas de colaboração de classes por uma alternativa independente dos trabalhadores e da juventude. Não foi isso que aconteceu no Brasil. Não reconhecemos, nos juízes e procuradores da Lava Jato, a possibilidade de substituir as tarefas históricas da classe trabalhadora brasileira. O protagonismo desses setores sociais, na queda do governo Dilma,  não poderia levar a um avanço da situação da classe trabalhadora, mas sim, a um retrocesso. Neste caso, o ataque às conquistas sociais da Constituição de 1988.

 12 meses de retrocessos
Um ano depois, inúmeros foram os ataques dirigidos pelo governo Temer. A ‘PEC do teto dos gastos’, que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos, a Reforma do Ensino Médio, a entrega do pré-sal, privatizações, a apresentação das reformas da Previdência e Trabalhista são alguns dos exemplos.

Fortalecer a resistência
O 15 de março foi um importante marco na resistência contra as reformas. Pela primeira vez desde 2013, os trabalhadores e a juventude retomaram as ruas. As mobilizações dos verde-amarelos diminuíram. As reformas da Previdência e Trabalhista são repudiadas pela maioria da população. O impulso do dia 15 de março fortaleceu a possibilidade da construção de uma greve geral no dia 28 de abril. Devemos jogar todas as forças nessa mobilização.

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

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