UFMA: dois casos de estupro em menos de uma semana

Por: Lourdimar dos Santos e Silva, de São Luis, MA

Combater o machismo no ambiente das universidades tem sido um desafio, apesar das mulheres serem maioria nas universidades brasileiras. Os relatos e denúncias de violência contra as mulheres dentro das instituições de ensino têm aumentado. Segundo pesquisa do Instituto Avon (2015), 56% das estudantes já sofreram assédio sexual nas universidades; 49% já foram desqualificadas intelectualmente; uma em cada três já deixou de fazer algo na universidade por medo de violência.

Em menos de uma semana aconteceram dois casos estupro na Universidade Federal do Maranhão. No primeiro caso, que ocorreu na sexta-feira, 31 de março, relatos contam que uma menina foi arrastada de dentro do ônibus para ser violentada. No segundo caso, outra menina foi abordada na parada de ônibus e levada até o matagal pelo estuprador. Esses são apenas os casos que nós tivemos conhecimento. Já faz um tempo que se coloca como necessária a discussão sobre segurança no campus e há um aspecto nesse tema que atinge de forma muito mais violenta as mulheres.

A cultura do machismo naturaliza a opressão contra a mulher, desde as brincadeiras que nos oprime, até os casos de violência física e assassinatos. A culpabilização das vítimas é frequente, por isso também há vergonha e medo, além da dificuldade da maioria das mulheres em encontrar testemunhas. Os casos se repetem em agressões cometidas pelos próprios estudantes e por pessoas de fora da instituição. As universidades, portanto, também são responsáveis.

O campus da UFMA tem pouca iluminação, e logo no início da noite fica inseguro para transitar. As paradas de ônibus não apresentam nenhuma segurança, nos deixando mais expostas ainda. As mulheres que dependem de transporte público, portanto, são ainda mais vulneráveis. A cultura do machismo nos impõe medo e insegurança, pois ao transitar dentro da universidade, especialmente à noite, estamos sujeitas a varias formas de violência por sermos mulheres. A organização estrutural do campus, assim como a organização das cidades, não oferece segurança à vida das mulheres, institucionalizando assim os casos de violência.

É preciso melhorar a infraestrutura do campus: reforçar o sistema de iluminação para os estudantes que estudam à noite, principalmente nas paradas de ônibus. É fundamental avançar nas políticas de assistência estudantil para melhorar as condições de vida e aprendizado de todos os estudantes, com creches e assistência médica e psicológica inserida nos planejamentos das instituições.

A reitoria, representada por uma mulher, não tem demonstrado respostas efetivas sobre a insegurança no campus. Além disso, é mais que urgente a discussão sobre as formas de segurança nas dependências da instituição. É urgente, pois se trata de preservar a vida das mulheres que frequentam a UFMA. É fato que a presença da polícia no campus não resolve o problema. É frequente a sua truculência e a inanição da guarda patrimonial. É necessário abrir o debate sério sobre a criação de conselhos de segurança, na tentativa de assegurar a vida da comunidade acadêmica, em especial das mulheres.

Há dois dias, estudantes indignadas com o que ocorreu, tomaram as redes sociais com manifestações, e organizaram um dia de lutas, que ocorreu na terça-feira (04/04). Aconteceram atos, apitaços e assembleias, onde foi discutido o tema e encaminhadas outras atividades e outros dias de luta contra a violência sofrida pelas mulheres no campus. Foi também organizada uma comissão para cobrar da reitoria medidas que tratem da segurança e respostas sobre os casos ocorridos. A luta e a organização das estudantes e professoras na universidade é o caminho para o combate à violência contra nós mulheres. É preciso fomentar espaços de estudos e debates sobre a opressão contra as mulheres, bem como incentivar a organização de mulheres no combate ao machismo. Não foi somente uma ou duas mulheres violentadas, fomos todas nós.

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