2018? Por uma frente de esquerda e socialista

Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

A esquerda socialista deve começar desde já a construção de uma alternativa política radicalmente contra a velha direita e o governo ilegítimo de Temer, mas que supere também a política de conciliação de classes da direção petista

No processo de construção da necessária e urgente frente única, que enfrente nas ruas, com greves e mobilizações, a onda de ataques contra os trabalhadores, a juventude e a maioria do povo, a esquerda socialista deve encarar a discussão, muito importante, de que alternativa política construir, desde já, na ação direta, e também para o processo eleitoral de 2018.

Evidentemente que para a luta que busca derrotar as reformas reacionárias da previdência e trabalhista, entre outros ataques do governo ilegítimo de Temer e de seus aliados nos Estados, como Pezão no Rio de Janeiro, será necessário unir todos os setores, que estão contra estas medidas absurdas, independentes das direções que estão à frente destas entidades e movimentos.

O povo trabalhador precisa da mais ampla unidade para que se levante em um grande movimento de ação que tente derrotar esses “pacotes de maldades” dos governos, parlamento, judiciário e dos patrões. Por isso, será muito importante a construção das manifestações unitárias no dia 8 de março – dia internacional de luta das mulheres – e no dia 15 de março. É fundamental que todas as Centrais Sindicais, o MST, o MTST, a UNE e demais movimentos que estão contra o governo e suas medidas draconianas se empenhem com tudo na organização e convocação destes protestos.

Mas, a pergunta que fica para a esquerda socialista é a seguinte: esse mesmo critério de unidade para ação contra os ataques deve servir para construir a alternativa política que precisamos em nosso país?

A Esquerda Socialista deve integrar a campanha Lula 2018?

Essa questão ganhou ainda mais relevância, na semana passada, com o anúncio da última pesquisa de intenções de votos para a Presidência da República (CNT / MDA), onde Lula aparece na frente em todos os cenários, tanto de primeiro como de segundo turnos, o governo Temer cai ainda mais a sua já baixíssima popularidade e Bolsonaro cresce também – já disputando um eventual segundo lugar com Marina Silva.

Mesmo sabendo que este cenário é produto de uma pesquisa, ainda muito longe das eleições, é evidente que ele reacende a discussão sobre se a esquerda socialista deve aderir a chamada frente ampla, apoiando uma eventual candidatura de Lula em 2018, caso ele não seja impedido pela “Lava Jato”. Com objetivo de derrotar eleitoralmente as distintas alternativas da velha direita e até da extrema direita.

Diante desta discussão fundamental, é muito importante um posicionamento nítido e explícito sobre que caminho seguir. Velhas formas políticas de exigências a que Lula assuma um programa dos trabalhadores e não se alie a setores da burguesia, nos parecem equivocadas neste momento. Afinal, elas não levam em consideração o que foram os 13 anos de governo do PT (Lula e Dilma) e a própria política que este partido tem na atual conjuntura, mesmo depois da manobra reacionária do Impeachment.

O PT e Lula já governaram o país e a política central de seus governos foi realizar uma administração que não rompesse em nada com o pacto de dominação da elite brasileira, em associação direta aos interesses imperialistas para a América Latina.

O máximo do que se chegou foram adoções de políticas sociais compensatórias, que tiveram impacto positivo devido a grande miséria de grandes parcelas da população, mas que em nada atingiram os lucros exorbitantes do agronegócio, das empreiteiras, bancos e demais grandes empresas nacionais e transnacionais. Ou seja, não realizando de fato nenhuma das mudanças estruturais que tanto nosso país precisa.

E, não podemos esquecer que estes governos também desferiram ataques ao povo trabalhador e a economia nacional, como a reforma da previdência de 2003, as parcerias-público-privadas e os leilões de venda das reservas de Petróleo e do Pé-sal. Além de terem entrado no jogo sujo da política burguesa, marcado pelos escândalos de corrupção, compra de votos no parlamento e financiamento milionários de campanhas pagos pelas grandes empresas.

Não podemos apagar o que foram os governos petistas, suas medidas e alianças espúrias, e agora acreditar que um eventual novo governo de Lula será diferente qualitativamente. Não podemos esquecer também que Temer era vice de Dilma, e chegou ao governo pelas mãos da própria direção do PT.

Seria muito bom para os trabalhadores que pudesse ser diferente, que fosse possível um novo rumo para o PT. Mas, nada de concreto nos autoriza a acreditar nesta real perspectiva. Qualquer candidatura do PT em 2018 não fará nenhuma autocrítica séria sobre o que foram seus governos. Ao contrário, reivindicará este período como modelo a ser seguido para o futuro de nosso país. E, mesmo hoje, depois do golpe parlamentar do Impeachment, vemos que o PT na oposição não mudou em nada a essência de sua política.

Afinal, onde é governo nos Estados vem aplicando medidas muito similares, por exemplo, a PEC que congela investimentos sociais e os salários dos servidores públicos (Como no Ceará e Piauí); no Senado Federal apoiou a eleição do golpista Eunício de Oliveira (PMDB/CE) para presidência da Casa e seu Senador do Acre – Jorge Viana – vacilou quando poderia ter assumido a presidência do Senado e pelo menos ter adiado a votação da PEC 55.

No Rio de Janeiro, seus deputados estaduais votaram no corrupto Jorge Picciani (PMDB) para Presidência da Assembléia Legislativa, o mesmo que deu mais um golpe, aprovando de forma relâmpago e antidemocrática a autorização para privatização da Cedae, que inclusive contou com um voto favorável de um deputado estadual do PT, André Ceciliano.

Seguir atrelando o futuro da esquerda socialista ao projeto de conciliação de classes do PT é uma política totalmente equivocada que vai preparar novas derrotas e mais desmoralização de parcelas importantes da classe trabalhadora, da juventude e dos lutadores dos movimentos sociais combativos. É necessário começar, desde já, a construção de uma nova alternativa da esquerda socialista.

A hora é agora: Por uma nova alternativa da esquerda e socialista 

Temos que apostar em outro caminho. Na construção desde já de uma Frente de Esquerda e Socialista, que una nas lutas e em uma alternativa política para as eleições de 2018, o PSOL, o PSTU, o PCB, o MTST e organizações da esquerda socialista ainda sem legalidade.

Esta frente deve se organizar desde já, em nada devemos esperar o ano das eleições. Neste sentido, é muito importante que em vários Estados já existem espaços que começam a construir esta perspectiva, temos que fortalecê-los e ampliá-los.

Em primeiro lugar, porque esta unidade é muito importante para atuação nos processos reais de mobilização que acontecem agora, lutando para ampliar uma frente única nacional que enfrente e busque derrotar os terríveis ataques dos governos e dos patrões. Mas, também, na construção desta unidade na perspectiva de construção de uma aliança da classe trabalhadora, do conjunto dos explorados e oprimidos e da juventude para as eleições de 2018.

Esta frente não deve também ser improvisada, devemos começar construí-la desde já, com discussões programáticas abertas e coletivas e o lançamento de uma pré-candidatura que expresse uma alternativa tanto a velha direita e o governo ilegítimo de Temer, mas também supere a política de conciliação de classes do PT.

Neste momento, é muito importante que estes partidos e organizações da esquerda socialista comecem a discutir coletivamente essa construção, pois não devemos nos conformar com a situação atual, onde o que aparece como alternativa a este governo ilegítimo é somente uma candidatura de Lula e do PT, novamente em 2018.

É importante abrir um diálogo também com os camaradas do MTST, que foi o movimento social de luta que mais ganhou expressão política e capacidade de mobilização no último período, para que também eles tomem uma decisão pela construção desta Frente de Esquerda e Socialista e ocupem um papel de destaque nesta construção, inclusive disponibilizando suas principais lideranças para serem candidatas nesta nova alternativa política que devemos construir.

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