JUSTIÇA TENTA PRENDER MANIFESTANTES DO ATO FORA TEMER. TODA SOLIDARIEDADE AOS PRESOS POLÍTICOS

Por: Mayara Fernades e Beatriz Benetti, São Paulo, SP

No dia 4 de setembro de 2016, dia da maior manifestação pelo FORA TEMER, esteve presente aproximadamente cerca de 100 mil ativistas que percorreram as ruas de São Paulo. As vias da capital paulista já haviam sido palco de vários atos contra o presidente.

Neste mesmo dia, um grupo de jovens se reunia com a intenção de ir à manifestação, mas foram abordados pela PM e levados ao Departamento Estadual de Investigações Criminais – DEIC, permanecendo detidos por quase 30 horas, das quais quase 8 horas sem acesso a advogados e familiares.

O caso foi amplamente denunciado nas redes sociais por ter sido orquestrado por um membro da inteligência do exército, Willian Pina Botelho, que se infiltrou no grupo de jovens detidos.

Quase quatro meses depois, esta história vem à tona novamente. O promotor de Justiça Fernando Albuquerque Soares de Souza, enviou à Justiça uma denúncia contra o grupo de 21 jovens, acusando-os de organização criminosa.

O documento enviado, com data do dia 15 de dezembro, diz que os jovens são acusados de “prática de danos e danos qualificados consistentes na destruição, inutilização e deterioração do patrimônio público e privado e lesões corporais em policiais militares”.

A denúncia pede que os jovens sejam interrogados e que o caso prossiga “até final condenação”. Caso a denúncia seja aceita pela justiça e os jovens sejam condenados, a pena pode chegar a quatro anos de reclusão.

Na época o Juiz, Paulo Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, considerou a prisão irregular e os manifestantes foram soltos no final da tarde do dia 5 de setembro.

Recordando brevemente sobre o caso

O grupo de jovens não se conheciam pessoalmente, somente pela internet. Marcaram para se encontrar e ir ao ato juntos, para não ficarem sozinhos na manifestação por medo de represálias da PM, que já havia acontecido em atos anteriores.

E assim ocorreu, se encontraram no Centro Cultural Vergueiro e depois de alguns minutos foram abordados pela Polícia Militar, sendo revistados e levados ao DEIC.

Durante a revista um dos policiais disse:

– O sonho de vocês não era ser preso pela ditadura? Vocês não queriam ser presos pela ditadura? Tá aí, agora estão sendo presos pela ditadura.

Willian Botelho, infiltrado do exército, foi o único que não foi levado junto com o grupo. Vale lembrar que o exército evocou a Garantia de Lei e da Ordem (GLO), sancionada por Dilma Rousseff em 2014, para justificar as operações de inteligência e monitoramento em manifestações de rua, justificando assim, a ação do infiltrado do exército nesta ação.

A GLO foi evocada devido à passagem da tocha olímpica que ocorreu no mesmo dia do ato FORA TEMER.

No dia em que os jovens foram detidos, muitos ativistas foram na frente do DEIC para prestar solidariedade e manifestar sua indignação contra esta arbitrariedade. Agora, é necessário que os movimentos, ativistas e partidos de luta se organizem em torno da solidariedade a esses jovens, contra essas possíveis prisões, lhes dando apoio político e jurídico.

Link da denúncia fornecido pelo PONTE

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Foto: André Lucas/CHOC Documental

 

 

 

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