Pular para o conteúdo
EDITORIAL

Para onde vai o Brasil em 2017?

Nuvens carregadas se formam no horizonte. A atmosfera social tensa, a ressaca da crise econômica e as turbulências do mundo político conjugam-se compondo um quadro de notável instabilidade.

Os desfechos do ano que recém se inicia são imprevisíveis. Mas é possível traçar alguns cenários a partir do ponto de partida deixado por 2016.

O fato incontestável é que o impeachment, embora tenha significado um inegável avanço das forças reacionárias, não conseguiu estabelecer, até aqui, um novo equilíbrio político-social.

Em outras palavras: em 2016, a classe dominante, sob o impulso de uma classe média enfurecida, que se deslocou politicamente à direita, deu passos num caminho perigoso. Primeiro rompeu o pacto político ao patrocinar o golpe parlamentar em Dilma e defenestrar o PT, o fiel fiador da conciliação de classes por décadas.

Agora a burguesia avança no sentido de quebrar o frágil pacto social com a PEC 55 e o anúncio das monstruosas reformas trabalhista e previdenciária. Com a crise econômica fervendo e o rápido despedaçamento das regras do jogo, afloram, a cada momento, novas contradições e dilemas.

Algumas perguntas para o ano novo
Tendo em conta esse contexto, algumas perguntas são inevitáveis: a ofensiva burguesa conseguirá retomar o equilíbrio impondo um novo e mais retrógrado ordenamento político e econômico? Ou a classe trabalhadora e a juventude reagirão aos ataques em condições de virar o jogo em 2017?

Em termos mais diretos: Temer e o Congresso conseguirão aprovar as reformas neoliberais, promover a recuperação econômica e abafar a crise política?  Ou a possível reação popular aos duríssimos ataques neoliberais, combinada com as ações da Lava Jato e o prosseguimento da recessão econômica, deixará o país convulso e desgovernado? Ou vamos para um cenário intermediário, de relativo equilíbrio entre as classes?

Na hipótese de agravamento da instabilidade, haverá uma esquerda com capacidade de oferecer um programa anticapitalista que leve as massas trabalhadoras às ruas e abra um novo caminho para o país?

O desafio da esquerda
É impossível apresentar respostas conclusivas às perguntas sugeridas acima. Todas as possibilidades estão em aberto. É no confronto vivo das forças político-sociais que os rumos da luta de classes se definirão.

A burguesia avançou em 2016. A situação não é nada favorável aos trabalhadores e ao povo pobre. Mas a partida não terminou: apenas começou o segundo tempo.

A tarefa urgente da esquerda é jogar todas suas forças para estimular a mais ampla e unificada luta dos debaixo, com o objetivo de barrar as reformas e derrubar este governo ilegítimo nas ruas.

Ao mesmo tempo, é necessário construir uma nova alternativa política da esquerda, uma alternativa socialista que agregue diversos setores e organizações, uma alternativa que supere a prática e o programa do petismo, que se afundou na mais desavergonhada conciliação de classe para a gestão do capitalismo brasileiro. Lula e o PT buscarão, de novo, canalizar o descontentamento social para a via morta de novos pactos com a direita .

Se a classe trabalhadora e a juventude entrarem em cena com força e iniciativa, modifica-se radicalmente o panorama político do país. Essa deve ser a aposta da esquerda socialista em 2017.