Com bombas e prisões, governo Temer aprova a PEC 55

EDITORIAL 30 DE NOVEMBRO | Quando os primeiros raios de sol começavam a banhar de luz a Esplanada dos Ministérios, a primeira caravana desembarcou na capital federal para ocupar Brasília. A partir daí, ao longo de todo o dia, mais e mais ônibus foram chegando, trazendo milhares de ativistas de todo o país.

A concentração inicial ocorreu no Ministério da Educação (MEC) e lá foram realizadas diversas atividades. Ensaio das baterias, debate sobre a PEC 55, reunião entre representantes das ocupações, entre outras, de forma organizada e pacífica.

A partir das 16h, as ruas foram ocupadas e a marcha começou a avançar ao Congresso Nacional. Assim foi possível perceber o que estava acontecendo. Mais de 20 mil manifestantes tomavam a Esplanada dos Ministérios. Essa deverá ser lembrada como uma das maiores manifestações nacionais do movimento estudantil em toda a sua história no nosso país.

Reuniram-se, nas ruas, uma imensa maioria de estudantes que estão ocupando suas escolas e universidades, além dos trabalhadores da educação federal em greve, da educação básica, servidores públicos diversos e ativistas dos movimentos populares sem teto e sem terra, além de muitas outras categorias. Todas as regiões do país estiveram presentes. Brasília, no dia 29, virou a capital das lutas de resistência, unificando a maior parte dos setores em luta hoje no Brasil.

“Podem me prender, podem me bater, mas eu não mudo de opinião”.
Querem acabar com o direito de manifestação. Não aceitamos!
Ao chegar em frente ao Congresso Nacional, a sensação geral na manifestação era de que, a partir dali, começaria de fato o ato político de denúncia do Senado e da Câmara, duas casas de corruptos, e de Golpista. Todos estavam preparados a resistir ali o tempo que fosse necessário até o fim da votação da PEC 55 e o pacote de medidas hipócritas contra a corrupção, onde havia a possibilidade de aprovarem a anistia àqueles que fizeram caixa dois.

O governo não pode tolerar que germine essas sementes da resistência que são hoje as entidades da educação e, em especial, o movimento estudantil. Eles querem impedir que essa luta sirva de referência para ganhar o povo trabalhador para a necessidade de luta. Esse que cada vez mais sente as consequências dessa crise criada pelos patrões. Isso eles não vão tolerar.

Com bombas de efeito moral e spray de pimenta, a Polícia Militar transformou Brasília em uma praça de guerra. O objetivo, mais do que impedir a realização da manifestação, era desmoralizar os manifestantes e fazê-los voltar para os estados em clima de derrota. Não conseguirão!

O que está em jogo é o futuro de toda uma geração
Enquanto isso ocorria, dentro do Congresso era oferecido um coquetel para empresários e deputados em um salão com vista para a dura repressão contra os manifestantes. Os ricos e poderosos desse país se deleitam com a exploração e repressão do povo trabalhador e dos estudantes.

O dia de ontem entrará para a história como um profundo ataque à classe trabalhadora e à juventude. A aprovação em 1º turno da PEC 55 no Senado Federal é a primeira letra do epitáfio dos serviços públicos, os direitos sociais e o futuro de pelo menos duas gerações.

O congelamento do orçamento está a serviço da venda do Brasil. Querem acabar com todas as conquistas de 88. Congelar o orçamento é o primeiro passo para a privatização, o ataque ainda mais brutal à soberania nacional, a restrição das liberdades democráticas, políticas.

A resistência deve continuar: dia 13 é o próximo dia nacional de lutas
Entre hoje e amanhã a maior parte dos ativistas ainda estarão de viagem voltando para seus estados. Esse momento deve servir para refletirmos, acima de tudo, sobre os próximos passos.

O movimento não se pode se deixar intimidar. É preciso levantar a cabeça. O primeiro passo é a defesa do nosso direito de manifestação. Não aceitamos que a Polícia Militar, a mando dos governos, atente contra o direito democrático de livre expressão das opiniões. Eles quererem acabar com isso. Os movimentos sociais, entidades estudantis e sindicais, partidos políticos de esquerda, coletivos e ativistas devem reforçar a necessidade da unidade e, dessa forma, defender a manifestação de ontem e repudiar a repressão e a aprovação da PEC do Fim do Mundo.

Além disso, é preciso começar, desde já, a preparar a próxima ação unificada dos movimentos. No próximo dia 13 de dezembro, quando ocorrerá a votação da PEC em 2º turno no Senado, deve ocorrer um novo dia nacional de lutas. É preciso seguir afirmando um polo de resistência que sirva de referência para disputar a opinião dos trabalhadores em geral. O mais importante nesse momento é ganhar o povo trabalhador para compreender o peso negativo desse ataque e a necessidade de repudiar esse governo e exigir novas eleições gerais.

Convoquem imediatamente um referendo, ou faremos nós mesmos
Para isso, também é necessário um instrumento para a disputa da sociedade. Por isso, é necessário elevar o nosso desafio. O Senado Federal, a Câmara ou o próprio Golpista têm coragem de ouvir a opinião do povo trabalhador? Queremos a convocação imediata de um referendo para que o povo decida se aceita, ou não, a PEC 55.

Caso o governo golpista de Golpista e o Congresso corrupto ignorem o referendo, os próprios movimentos sociais devem assumir essa tarefa. Construamos nós o referendo. Disputemos nós mesmos a opinião do povo. Sigamos nós nas ruas disputando a maioria na sociedade.

Junto a isso, é preciso que o movimento reflita, especialmente, sobre os seus erros. O tema da autodefesa no movimento é urgente, é preciso saber enfrentar a repressão para além de só dispersar, é preciso pensar como fortalecer a unidade e sua relação real com os ativistas. Precisamos reinventar o movimento social brasileiro.

Foto: Lula Marques/ AGPT

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