Eleições americanas: quem ganha? quem perde?

Por: Genilda Souza, de São Paulo, SP

Embora as eleições americanas ocorram no dia 8 de novembro, a legislação permite o voto antecipado. Cerca de 39 milhões de americanos já votaram na escolha do (a) novo (a) Presidente. No entanto, faltando um dia para o final da votação, não é possível afirmar categoricamente quem vencerá.

As pesquisas de opinião apontam ligeira vantagem para Donald Trump sobre Hillary Clinton. O levantamento nacional ABC News/Washington Post, divulgado no dia 1 de novembro, dá 46% das intenções dos votos para Trump, contra 45% dos votos para Hillary.

As projeções para o Colégio Eleitoral, que de fato elegem os Presidentes americanos, dão vitória a Hillary. Segundo o Real Clear Politics, Hillary teria 44,9% das intenções de votos, na média das pesquisas eleitorais estaduais, e Trump 42,9%. Para o mesmo Instituto, no Colégio Eleitoral, Hillary teria 216 delegados, Trump 164 e há 158 delegados (as) em disputa, que serão indicados pelos chamados swing states, aqueles estados americanos onde a disputa eleitoral é muito acirrada, e em cada eleição divide o voto entre republicanos e democratas.

Neste momento, a única afirmação que se pode fazer é que esta é uma eleição indefinida, sob qualquer ângulo de análise. Há literalmente um empate técnico entre as duas principais candidaturas.

Contra os dois candidatos também concorrem Gary Johnson, do Partido Libertário, que tem como programa a defesa do livre mercado, dos direitos individuais e da propriedade privada. Um clássico partido burguês liberal. A outra candidata é Jill Stein, que concorre pelo Partido Verde, e que segundo os analistas americanos está atraindo os votos de parte dos democratas que queriam ver Bernie Sanders como o candidato do Partido. É claro que nenhum desses dois candidatos independentes ameaça Trump ou Hillary, ou o bipartidarismo americano. Mas, em uma eleição disputada como esta qualquer voto que os dois preferidos percam, pode determinar quem conquistará os delegados (as) de cada Estado americano e terá maioria no Colégio Eleitoral.

A cabeça do eleitor americano
Em toda a eleição burguesa o eleitor vota procurando identificar em cada um dos candidatos (as) as soluções para os seus problemas imediatos. Na verdade, a consciência média do eleitorado vota com o bolso ou o estômago. É por isso que as pesquisas de opinião fazem tanto sucesso, já que procuram medir para onde vai a “cabeça” do eleitor (a) em cada eleição.

A frase do marqueteiro de Bill Clinton, James Carville, “É a economia, estúpido!” ficou famosa porque previu a vitória de Clinton, mesmo diante do favoritismo de George Bush pai, em 1992, por causa da recessão americana. É sempre a economia que decide o voto do eleitor. De modo geral, se a economia vai bem a tendência é de reeleição do atual governante ou de alguém apoiado por ele. Se vai mal o eleitor procura aquele ou aquela que possa melhorar a sua vida, e tende a votar na oposição.

Nas eleições americanas deste ano não será diferente. Estima-se que dos 232 milhões de eleitores inscritos, de 50% a 60% irão votar este ano. Não confundir baixa participação eleitoral com nenhum sinal de crise do regime democrático burguês americano. Mas, se a economia tem grande peso sobre a intenção de voto, como votará o americano médio?

Nas eleições de 2016 há três temas preocupando os americanos, segundo os analistas políticos. Primeiro, a distribuição da renda nos EUA é cada vez mais desigual. Segundo, há grande apreensão com a perda de emprego, em função da imigração e da globalização da economia. Terceiro, as ameaças terroristas, que desde o 11 de setembro são parte do cotidiano dos americanos. O discurso de Trump responde melhor às preocupações atuais do eleitorado. Ele faz uma campanha prometendo expulsar todos os imigrantes ilegais, aumentar o salário mínimo de U$ 7,25 para U$ 12,00 dólares a hora e proibir a entrada de novos muçulmanos no País.

O discurso de ódio de Trump é na verdade uma política cuidadosamente estudada para responder ao nível de consciência média do eleitor americano. É por isso que Trump venceu até agora todas as resistências contra ele. A contrariedade dos caciques republicanos contra a sua indicação, e tem a maioria das intenções de voto, mesmo quando comete erros políticos infames, com seu discurso racista, sexista e xenófobo. Trump pode se tornar presidente dos EUA porque o eleitor médio está cansado dos políticos tradicionais (um fenômeno mundial), que Hillary representa, e muito preocupado com suas condições de vida. É a economia, estúpido!

O perfil dos eleitores de cada candidato
Antes é importante dizer que o eleitor médio americano é branco, pertence aos setores operários e da classe média e tem idades entre 30 e 50 anos. A população jovem vota muito pouco. Neste ano não se dará o fenômeno que elegeu Obama em seu primeiro mandato, quando de forma inédita grande parte da juventude compareceu às urnas.

Os eleitores negros não estão tão entusiasmados com Hillary. Os negros (as) comparecerão em menor número nas eleições deste ano. Na Flórida, um estado decisivo em número de delegados, os negros que em 2012 representaram 25% dos eleitores, em 2016 somam até agora, 15% dos votantes.

A boa notícia para os democratas é o aumento da participação dos hispânicos: de 10,5% em 2012 para 14% neste ano. As pesquisas apontam que 67% dos eleitores latinos pretendem votar em Hillary.

A eleitora de Hillary Clinton
O eleitor típico de Hillary na verdade é uma eleitora. Elas correspondem a 61% do eleitorado da candidata democrata. Do ponto de vista racial, 58% são brancos, 24% negros (as) e 9% latinos. 41% têm curso superior e 49% têm menos de 50 anos. Para esta parcela do eleitorado o País está melhor que há 50 anos, 72% dizem que a diversidade populacional tornou os EUA melhor. 70% dizem que a desigualdade social é um grande problema e 43% acham que as questões ambientais são um problema nacional. (Fonte: Pew Research)

O eleitor de Donald Trump
Aqueles que votam em Trump são homens (58%), brancos (87%), a minoria têm curso superior (26%) e 36% têm menos de 50 anos. Em relação a política 81% acham que o País está pior que há 50 anos, e 60% acreditam que a diversidade populacional tornou o País pior. Para 66% a imigração é um grande problema nacional. 69% não pensam que a desigualdade social é um grande problema e 84% não veem as questões ambientais com grande preocupação. (Fonte: Pew Research)

O perfil demográfico e social do eleitorado de Hillary é a antítese do eleitor de Trump. E representam a profunda polarização política da sociedade americana, que alguns analistas dizem ser irreversível, ganhe quem ganhar as eleições de amanhã.

*da Coordenação Nacional do #MAIS

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