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13 Outubro, 2016
  • Primavera estudantil abre caminho para onda de lutas no Paraná

    Nesta quinta-feira (13), completam dez dias que a onda de ocupações de escolas teve início no Paraná. Quando terminávamos este editorial, o levantamento dos estudantes já contabilizava mais de 250 escolas ocupadas em todo o estado. Na grande Curitiba, nas demais cidades, e principalmente nos bairros da periferia, os jovens continuam avançando no movimento de ocupações.

    A primavera estudantil tem como principal pauta a luta contra a MP 746/2016, Reforma do Ensino Médio. Porém, o movimento também se coloca frontalmente contra os ataques do governo Michel Temer, expressos na PEC 241/2016, na Reforma da Previdência e no PL 257/2016.

    Este autêntico e forte processo de luta inspirou ocupações nas universidades e abriu caminho para a construção da greve geral dos servidores públicos estudais e também para a greve de outras categorias, como é o caso dos professores municipais de Curitiba. A partir da próxima semana, teremos o início do movimento grevista, incluindo os professores e funcionários da educação pública estadual que protagonizaram um dos principais processos de luta que tivemos no ano de 2015, que terminou com a brutal repressão do governador Beto Richa, no dia 29 de abril.

    Os ataques aos trabalhadores estão avançando rápido
    Nos últimos dias, o governo Temer avançou nos ataques à nossa classe, acabou com a exclusividade da exploração do pré-sal pela Petrobras e aprovou a PEC 241 em primeiro turno na Câmara dos Deputados. Vale ressaltar que as prioridades do Executivo, neste momento, são esta Emenda Constitucional, a Reforma da Previdência e a implementação da Reforma do Ensino Médio nos estados.

    Todas as medidas impulsionadas pelo Governo Federal são parte de um projeto para o país, que visa a retirada de direitos conquistados pela classe trabalhadora para poder favorecer o capital financeiro internacional através do pagamento dos juros e amortizações da Dívida Pública. Serão cortados os investimentos em áreas sociais como saúde e educação para favorecer os banqueiros. Com a PEC 241 os ‘gastos’ primários do Governo Federal ficarão congelados por 20 anos. Temer quer ‘cortar na carne dos trabalhadores’.

    A onda de lutas no Paraná deve inspirar a organização da Greve Geral e as ocupações de escolas em todo o país
    Não temos muito tempo, é urgente a efetivação da greve geral. A verdade é que estamos atrasados, infelizmente as direções majoritárias do movimento sindical se acomodaram a um governo de colaboração de classes, alianças com a direita, e fica evidente que a grande estratégia das direções ligadas ao PT e ao PCdoB é desgastar o governo Temer para voltar com Lula nas eleições de 2018.

    Isso explica o atraso dessas direções em construir a greve geral, visto que o objetivo desses partidos é o de fazer o balanço de que Lula e Dilma eram melhores do que Temer. Não temos dúvida de que houve um golpe parlamentar articulado pela direita reacionária que agora se unificou em torno da agenda do atual governo, porém, sabemos que Dilma vinha tentando aplicar várias dessas medidas e encontrava resistência nas bases. Vale lembrar que o PL 257/2016 foi enviado à Câmara dos Deputados pela ex-presidente Dilma.

    Todas as iniciativas de tentar unificar as ações das maiores centrais sindicais demonstraram que a CUT não atuou para construí-las. É perceptível a insatisfação nas bases dos sindicatos dirigidos pela CUT, os trabalhadores estão apreensivos e assustados diante dos inúmeros ataques, sabem que é preciso reagir e resistir rápido. Outro agravante é o distanciamento dessas direções de suas bases em algumas categorias, fato que também dificulta a organização da greve geral.

    Precisamos de uma ampla unidade dos trabalhadores e estudantes no Brasil. É necessário ampliar as ocupações de escolas em todo país e colocar em prática a construção da greve geral, já. A principal pauta da classe trabalhadora, neste momento, é a luta contra os ataques de Temer.

    O belíssimo, consciente e corajoso movimento dos estudantes no Paraná deve servir de exemplo para a classe trabalhadora. A vanguarda que organiza esta luta magnífica está escrevendo um importante capítulo da nossa história. Confiamos que as lições deste processo poderão fortalecer a nossa classe e forjar uma juventude no calor da luta, que terá nas mãos a obra da revolução socialista brasileira.

    Foto: Reprodução Facebook

  • Estudar sem Temer: todas e todos ao dia 24 de outubro defender a educação

    Por: Mariana Pércia*, de São Paulo, SP

    Na mesa de jantar, nosso futuro. Mais do que um cardápio luxuoso servido às dezenas de deputados e deputadas que jantaram com o ilegítimo Temer nesse domingo passado, ali estava sendo degustado nosso futuro, e ao que parece, tem um sabor doce pra eles e amargo para nós. Aquele jantar, junto à visita do FMI em setembro ao nosso país, traçou cruéis planos de austeridade para que a crise não passe pelos ricos e poderosos, mas sim por nós.

    Não à toa a capa da Folha de São Paulo e a movimentação de toda mídia golpista desde a semana passada se deram em torno da aprovação da PEC. O grande slogan dessa corja era “Se você é contra a PEC, você é contra o Brasil”, que casou com a campanha do Governo federal “Vamos tirar o Brasil do vermelho”, de cunho bastante ideológico contra toda a esquerda.

    No início da semana, como já era de se esperar, fomos bombardeados com a notícia de votação, em primeiro turno, da PEC 241, mais conhecida como #PECdoFimDoMundo, e que passou no Congresso Nacional com uma larga votação, 366 a 111 votos, especificamente. A #PECdoFimDoMundo, como ficou conhecida, é a emenda constitucional que consolida uma seqüência de sérios ataques feitos à juventude e aos trabalhadores de nosso país. A conta do jantar de Temer já chegou e está sendo paga por nós.

    A educação corre perigo
    Todo esse burburinho e agitação dos ricos e poderosos para aprovação às pressas da #PECdoFimDoMundo tem um motivo. Essa emenda simplesmente torna o que era mínimo em investimento nas áreas sociais, em máximo. Isso mesmo. O orçamento Federal que era destinado a saúde e educação, por exemplo, e que tinha um teto mínimo de investimento, passa a ser o teto máximo, e toda essa barbaridade por singelos 20 anos.

    Abaixo a PEC do Fim do Mundo
    Sendo ainda mais concreta, caso essa PEC já existisse desde 2005, os investimentos em educação em 2015 teriam caído de R$ 98 bilhões para só R$ 24 bilhões. O aumento de 150% no Fundo Nacional de Educação Básica, mesmo com todas as contradições de precarização existentes na educação, entre 2007 e 2014 teria sido impossível. O aumento de 100% em vagas nas universidades federais desde 2003 também não teria sido possível. Menos concursos, menos alunos e salários menores nas universidades. O Brasil não teria aumentado mais de 400% seu número de mestres e doutores desde 1996. Possivelmente, a vaga na universidade não existiria, ou se existisse, você não teria a já precária assistência estudantil conquistada com tanta luta dos estudantes.

    Dando ainda outros exemplos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou, nesta semana, um estudo sobre o impacto previsto pela PEC 241 na universidade. Fizeram uma simulação dos gastos de 2006 a 2015 e mostraram quanto seriam, em reais, as perdas caso a 241 estivesse em vigor nesse período. O resultado é que, por exemplo, em 2007 a universidade perderia R$ 19,8 milhões, já nos anos seguintes, essa diferença cresceria, chegando a uma perda de R$ 159,8 milhões em 2013. Essa perda diminuiria um pouco em 2014, ano em que o governo Dilma também fez contigenciamento de verbas e voltaria a aumentar em 2015 para R$90,6 milhões de perdas. Pelos cálculos feitos pelos órgãos da educação, em 2036, último ano de vigência da PEC, a estimativa de valor perdido de investimento em educação é de cerca de R$302,2 bilhões.

    Tirem as mãos da nossa escola: abaixo a MP 746, a Reforma do Ensino Médio
    Somado aos ataques econômicos, o atual governo golpista avança no terreno ideológico sobre a educação. A Reforma do Ensino Médio (MP 746) faz com que apenas as disciplinas de português, matemática e inglês façam parte do ‘currículo fixo’ e avança sobre a privatização do ensino público, deixando a cargo dos governos estaduais e das diretorias de ensino montar um currículo ‘flexível’, sob condição de que este será garantido por parcerias público privada nas escolas, e sem nenhuma consulta à comunidade escolar.

    Escola Muda não muda: por uma escola sem mordaça, não ao PL 7180/14
    Ademais, o Projeto de Lei ‘Escola Sem Partido’ (PL 7180/14), apresentado pelo deputado Erivelton Santana (PSC-BA), que pretende alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, avança no Senado Federal, e pretende impedir que as escolas ensinem temas de cunho moral, sexual e religioso. Esse é outro projeto que ficou famoso nos últimos meses como ‘Lei da Mordaça’, o qual já vinha avançando nas Câmaras municipais de maneira picotada, através, por exemplo, da proibição da discussão de gênero nos planos municipais de educação, ou ainda do veto do kit anti homofobia, ainda pelo governo anterior.

    É de conjunto um dos maiores ataques econômicos e ideológicos à educação pública, crítica e de qualidade. Querem acabar com os bastiões de resistência que viraram as universidades e escolas a esse governo golpista e querem cortar de nossa carne para saborear no jantar deles.

    Organizar a resistência é urgente: todas e todos à luta num dia Nacional de Mobilizações, em 24 de outubro
    Na opinião da juventude do MAIS, é urgente e necessário que a resistência seja organizada. Temos convicção que, para isso, é necessário uma ampla unidade de ação de toda a esquerda combativa. Desde a organização de fóruns amplos de discussão sobre os temas, a ações concretas e radicalizadas.

    Os estudantes do Paraná dão um belo exemplo. O Paraná, que para esses senhores é a terra de Sergio Moro, o reacionário que avança em processos que de fundo servem para perseguir e acuar a esquerda de conjunto e justificar, a partir dos erros do PT, a privatização da Petrobras, para nós é a terra de mais de 200 escolas estaduais ocupadas e geridas por estudantes que não vão aceitar que ponham a mão na escola deles. Outros estados seguem ainda o exemplo de luta do Paraná, como RN, DF, RS, RJ, GO, AL, MT e PE, iniciando ocupações em institutos federais e escolas, também contra a Reforma do Ensino Médio e os avanços do governo golpista sobre a educação. Que as universidades também sigam exemplos de luta e resistência.

    Não é verdade que somos nós quem devemos pagar pela crise, os banqueiros e milionários desse país estão com as fortunas ilesas, o Brasil paga quase 50% de um dívida pública nunca auditada, praticamente uma “bolsa banqueiro”, e têm a cara de pau de fazerem campanha ideológica de que devemos nos sacrificar pelo nosso país em momentos de crise. Que se sacrifiquem eles, que nunca pegaram um ônibus lotado, nunca estudaram em escolas precarizadas, ou nunca dependeram da assistência estudantil pra concluir seu curso.

    O funcionalismo público, que também será frontalmente afetados pelos ataques de Temer, também se preparam para a construção de grandes mobilizações dizendo que não aceitarão cortes e ainda mais exploração sobre suas costas. Por isso, está sendo preparado um dia Nacional de Mobilização Contra os Ataques de Temer, o dia 24 de outubro, como parte do calendário de construção de uma greve geral que paralise esse país, no dia 11 de novembro. Nesse dia 24, está marcado segundo turno de votação da #PECdoFimDoMundo.

    Os estudantes já têm sido linha de frente desse processo e queremos convocar amplamente os setores sociais onde temos atuação para fazer parte dessa mobilização. Levantemos os corredores das escolas e universidades contra Temer e vamos impedir que o retrocesso que se consolidou com o golpe parlamentar chegue com tudo na educação. Não vamos aceitar, queremos estudar sem Temer.

    *Mariana é da juventude do MAIS.

  • ‘A revolução começa nas quebradas’: diário de luta 2

    Por: Matheus Gomes, Lucas Fagundes e Otávio Tinoco

    O primeiro encontro da quarta-feira (12) foi com o sol, visitante pouco habitual que tirou a nossa impressão acinzentada da cidade. Tomamos um café na padaria e partimos em direção ao Cidade Industrial de Curitiba (CIC), onde encontraríamos a gurizada da escola Hildegard Söndahl.

    No caminho conhecemos a verdadeira Curitiba, onde mora o povo negro e trabalhador, muito diferente do lugar que vive o Juiz Sérgio Moro, que conhecemos no dia anterior. Descobrimos que em 2012 o deficit habitacional na cidade era de 86.820, superior ao de Porto Alegre. E parece que a situação não mudou nada. No CIC existem ocupações que surgiram há poucos dias e a Ocupação Tiradentes, que abriga 800 famílias, sofre ameaça constante de despejo.

    Chegando na Hildegard, o cartaz que nos recebia afirmava que “A revolução começa nas quebradas”. Era o segundo dia de ocupação, mas a organização da piazada estava exemplar. Ao invés de comissões, eles chamam as equipes de ‘Comitês’. Não trabalham com líderes de equipe, estão tentando distribuir as responsabilidades coletivamente. Fizemos um debate no saguão da escola decorado por vários cartazes contra Michel Temer, a MP do Ensino Médio e a PEC 241. Temas como o machismo e LGBTfobia na escola e cultura também foram debatidos.

    Debate do saguão da escola

    Debate do saguão da escola Hildegard

    À tarde, voltamos para o Centro e no caminho soubemos da coletiva de imprensa organizada pela União Paranaense de Estudantes, vinculada à UBES. O propósito era apresentar o que tinha sido conversado entre Beto Richa e Matheus dos Santos, presidente da entidade. De fato, a entidade está presente em muitas ocupações pelo estado e hoje cumpre um papel importante, pois organiza a página @OcupaParaná.

    Entretanto, ficamos bastante desconfiados das intenções reais deles dentro do movimento. Em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, conhecemos as tentativas de negociações e acordos pelas costas das ocupações independentes, que são maioria em todos estados. No Rio Grande do Sul, não temos como esquecer a traição ao movimento que ocorreu em 14 de junho e resultou na ocupação da SEFAZ pelo Comando de Escolas Independentes, movimento criminalizado até hoje, mas que reabriu as negociações com Sartori. Matheus propôs que as escolas elejam delegados que organizem representantes municipais para a formação de um comando estadual e também disse que a exigência nacional é a retirada da Medida Provisória e a criação de uma Conferência Nacional para a Reforma do Ensino Médio, nos moldes da antiga CONAE.

    Estamos aflitos com a urgência de uma articulação nacional dos secundas, porque a UBES não pode cumprir esse papel devido ao afastamento histórico das bases. Em Curitiba, a direção da UJS apoia Ney Leprevost (PSD) no segundo turno. Historicamente estiveram ao lado do PMDB de Roberto Requião, ganhando benesses como apartamentos e dinheiro para Congressos. Hoje, se apoiam na força desse aparato para se apresentarem como ‘direção’ da luta, mas o que notamos é que isso não é referendado pelas escolas pelas quais passamos.

    Achamos válida a ida da piazada nesses espaços, no Rio Grande do Sul fizemos isso no que foi inicialmente proposto pela UBES. Mas, toda atenção é necessária. Ou os estudantes controlam de verdade a luta, com a força de sua autodeterminação, ou é melhor criar outro Comando de Mobilização, com perfil independente das entidades.

    Final de tarde e partimos para Pinhais. Nos dividimos e visitamos cinco escolas, Newton Freire e Arnaldo Busato, que tínhamos ido na terça, além do Campus Sales, o Amyntas e Mathias Jacomel. Nas duas últimas, trocamos uma ideia forte e recolhemos ótimos depoimentos para o documentário que iremos lançar em nosso retorno. Especialmente no Amyntas, nos chamou a atenção o protagonismo feminino. As gurias sofreram duros ataques com rojões e ameaças durante a madrugada e à tarde, mas não pensavam em recuar. Igual no RS, elas são a linha de frente do movimento.

    Chegamos em casa e o clima era outro, uma forte chuva caiu sobre a cidade, certamente o saguão das escolas estava ainda mais gelado. Mas, o bonde não para. Tem ocupação da Zona Sul à Zona Norte.

  • A improvável trincheira da esquerda socialista na televisão carioca

    Por: Pedro Silveira, do Rio de Janeiro, RJ

    A fragmentação das candidaturas da direita, a duradoura aliança entre o desgastado campo petista e o PMDB, um candidato da situação rechaçado pelas agressões à ex-esposa. São vários os fatores que explicam a ida de Marcelo Freixo ao segundo turno, de longe a maior vitória eleitoral da esquerda socialista nessas eleições. Mas, nenhum foi tão determinante para essa vitória quanto as milhares de pessoas que lotaram comícios e organizaram comitês de campanha nos quatro cantos da cidade.

    “Sem aliança vendida em troca de tempo de televisão”, diz o jingle que não pôde ser incluído nos 11 segundos de campanha. Sem doação de grandes empresários. Foi desse jeito que Marcelo Freixo chegou no segundo turno. E essa vitória, em tempos de golpe parlamentar, nas primeiras eleições após a contrarreforma política, abriu um canal de diálogo ímpar para Marcelo Freixo e o PSOL. Nesse segundo turno, Freixo terá o mesmo tempo de televisão que Marcelo Crivella, duas inserções de dez minutos, ou 54 vezes o tempo disponível no primeiro turno.

    Nesta segunda-feira (10), foi ao ar o primeiro programa eleitoral. Este contou com imagens do comício da ida ao segundo turno do domingo das eleições (2), uma biografia do candidato com ênfase no combate às milícias, a exaltação da política enquanto instrumento de transformação social, a apresentação de intelectuais que governariam com o Freixo e ainda sobrou tempo para o jingle. Na parte destinada às propostas concretas, o programa ficou aquém do esperado, apresentando apenas pautas abstratas como “saúde com dignidade”, “escola com qualidade” e “transporte mais barato e mais eficiente”.

    Felizmente, essa questão melhorou sensivelmente já no segundo programa veiculado na terça-feira (11), no qual claramente se avança da pauta abstrata de melhoria dos serviços públicos para propostas que possam de fato concretizá-la: o fim da dupla função para motoristas de ônibus, reorganização das linhas de ônibus em diálogo com os usuários, plano de cargos e salários para os profissionais da saúde, entre outras propostas. No programa eleitoral, Freixo defende os direitos das mulheres, dos aposentados, dos garis da cidade, a escola como lugar de pensamento crítico e afirma que, caso eleito, “essa não vai ser uma cidade em que empresário de ônibus vai fazer o que quer”.

    Nesta quarta-feira (12), o programa deu um salto qualitativo no enfrentamento a Crivella, denunciando a aliança com Garotinho e a recusa em participar dos debates. Outro grande acerto foi o eixo do programa ter sido a defesa da liberdade religiosa, um princípio fundamental que não podemos abrir mão. As possibilidades e perspectivas abertas com esse canal de comunicação trazem a esperança de uma vitória no segundo turno mais do que possível, necessária.

    Para os que reivindicam a estratégia da revolução socialista, certamente o programa de governo de Marcelo Freixo e Luciana Boiteux apresentará inevitáveis limitações, que precisam ser debatidas fraternalmente com todos que buscam uma alternativa política à direita golpista e ao campo petista. Mas, por hora, o debate é outro. Precisamos agarrar essa oportunidade ímpar do segundo turno e o que ele proporciona na televisão e fortalecer o nosso campo, fortalecer a Frente de Esquerda Socialista e transformar o Rio de Janeiro em uma grande trincheira contra o governo Temer.

    Assista aos programas eleitorais do Freixo

    10/10

    11/10

    12/10

    Disponível na página do Marcelo Freixo no Facebook

    Foto: Reprodução

  • Um festival contra o silêncio

    Por: Soraia Neves, do ABC paulista, SP

    “A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”
    (Vladimir Maiakovski)

    O ultimo sábado (8) ficou marcado como um dia de resistência e de arte. Organizado pelo Comitê ABCD Contra a Escola Sem Partido, o Festival Contra a Lei da Mordaça ocorreu em São Bernardo do Campo e contou com aula pública sobre os projetos ‘ESP, Reforma do Ensino Médio e as PECs’, com exposição de artistas da região e de outros estados, além de muita música.

    Esse foi um passo muito importante que consolidou a resistência do ABC contra os ataques do atual presidente Michel Temer (PMDB), que quer jogar a conta da crise econômica nas costas dos trabalhadores com medidas como a PEC 241, que congela por vinte anos os investimentos em Saúde e Educação, a Lei Escola sem Parido, que criminaliza o professor que falar de política em sala de aula, a Reforma do Ensino Médio, que busca acabar com o pouco conhecimento que ainda existe na escola pública, além das reformas Trabalhista e da Previdência.

    Foi muito importante e emocionante contar com o apoio e a união voluntária dos artistas da região para mostrar que a luta também se faz com a arte, que ela também pode nos fazer refletir sobre a nossa realidade tão dura e nos fortalecer sobre a nossa necessidade de lutar.

    Esse festival mostrou que é preciso cada vez mais da união de todos para dizer que não nos calarão e que não mexerão com nossos direitos.

    O próximo encontro do Comitê ABCD Contra a Lei da Mordaça será dia 22 de outubro, às 15h, na Subsede da Apeoesp de Santo André (Rua Gertrudes de Lima, 244), para organizar a próximas atividades.

    Continuaremos a resistir e a lutar por uma escola pública democrática e de qualidade, seja com pedras, noites ou poemas, que, como disse Leminski, são as nossas armas na luta de classes.

  • Fernando Holiday: representatividade a serviço de quem?

    Por: Luiz Tombini e Rafael Bedoia, militantes do movimento negro e LGBT de São Paulo

    “Negros que escravizam/ E vendem negros na África/Não são meus irmãos
    Negros senhores na América/A serviço do capital/Não são meus irmãos
    Negros opressores/Em qualquer parte do mundo/Não são meus irmãos
    Só os negros oprimidos/Escravizados/Em luta por liberdade/São meus irmãos
    Para estes tenho um poema/Grande como o Nilo” – Solano Trindade

    As eleições municipais da cidade de São Paulo demonstraram que existe muitas diferenças na conformação política da cidade. Por um lado, temos a mudança de prefeito depois de quatro anos de governo petista para uma Prefeitura do PSDB de João Doria, abertamente um defensor da elite paulistana, com um programa de privatizações e contra os movimentos sociais. Por outro lado, para surpresa de muitos daqueles que lutam cotidianamente pelos direitos de negras e negros e LGBTs e para que exista na política cada vez mais representatividade desses setores, uma figura emblemática é eleita. Precisamos falar sobre Fernando Holiday.

    Fernando ficou famoso depois de começar a publicar vídeos em seu canal do Youtube contra as práticas e pautas do movimento negro e LGBT. Com a repercussão de seus vídeos, ele se tornou membro do Movimento Brasil Livre (MBL) e, no domingo (02), ascendeu ao cargo de vereador da cidade de São Paulo com mais de 48 mil votos, pelo Democratas (DEM), ressuscitando um dos partidos mais conservadores do espectro político brasileiro. Sua filiação ao DEM não é por acaso, afinal ambos apoiaram o golpe parlamentar que colocou ilegitimamente Michel Temer no governo, visando acelerar o processo de ajuste fiscal que retira alguns dos mais elementares direitos da população.

    Pelo fato de ele ser o primeiro gay assumido na Câmara de Vereadores e um dos poucos negros a atingir tal cargo, devemos analisar seu discurso para avaliarmos se de fato ele representa os anseios do povo trabalhador negro e das LGBTs. Dentre as diversas afirmações de Holiday em seus vídeos, ele chegou ao absurdo de afirmar que as cotas raciais, pauta histórica reivindicada pelo movimento negro, são racistas por, em sua visão, considerarem “que negros não são inteligentes o suficiente para conseguir uma vaga”. Também atacou a travesti que teve o rosto desfigurado pela PM, Veronica Bolina, descartando o sofrimento que as travestis e pessoas trans passam com sua marginalização, fazendo uma apologia de ódio ao movimento LGBT.

    No entanto, Holiday não leva em consideração o fato de que nós, negros, vivemos uma situação calamitosa no Brasil, fruto de um verdadeiro crime cometido contra a população africana escravizada, o que acarreta uma inegável dívida histórica que o estado brasileiro tem com o nosso povo. Aqueles que vivem a realidade dos morros e favelas sabem bem do que estamos falando. Com toda a dificuldade de transporte nas cidades para quem mora na periferia, o absurdo que tem sido o acesso a uma boa qualidade de saúde e educação, o medo que sentimos cotidianamente quando nos deparamos com uma viatura policial que pode nos abordar de maneira violenta, ou mesmo levar nossas vidas como levaram a de muitos outros antes de nós, não é possível que Holiday não considere que temos muito mais barreiras que superar do que a população branca para ‘subir na vida’ e ter acesso à universidade.

    Num país onde os negros recebem apenas 59% do que recebe um branco para um mesmo trabalho, em que a taxa de homicídios contra os jovens negros segue estratosférica, 2,4 negros são assinados para cada não negro, e uma longa lista de outros exemplos das estatísticas que a negritude tem que encarar todos os dias, Fernando Holiday é mais um que tenta infundir entre a juventude uma das maiores mentiras que a elite branca inventou, a de que no Brasil não existe racismo.

    No caso do movimento LGBT, Holiday nutre um profundo desprezo e ódio. Consideramos sua declaração contra Bolina uma afronta, afinal nosso país é campeão em assassinato de LGBTs. Só em 2015, 318 LGBTs foram assassinadas por crimes de ódio, totalizando uma morte a cada 28 horas, de acordo com dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia. As mortes são a pior face da LGBTfobia, mas há que se considerar uma vida inteira de marginalização, LGBTs expulsas de casa pela não aceitação da família, que coloca as pessoas trans em sua maioria em situação de prostituição, também o direito a escola nos é negado quando não há política de combate à opressão LGBT na educação, e outros tantos caos. A violência que vivemos é regada pelos insultos cotidianos, pela desvalorização de nossa identidade, pela falta de espaços seguros de lazer, pela burocracia para se conseguir o nome social para pessoas trans, pela saúde que não é voltada para nós e pelo menosprezo de nossa luta. E para piorar, ainda não temos uma lei que criminalize os crimes motivados por ódio as LGBTs. Nos é negado literalmente o direito à vida.

    Qual o limite da representatividade?
    A população poderia se questionar se o fato de Fernando ser um jovem negro e gay não o qualificaria para debater na Câmara as pautas desses setores oprimidos, afinal, se nos é negado todos os dias a possibilidade de participar da política, não seria bom ter ‘um dos nossos’ nesses espaços de poder? Em nossa opinião, Holiday não é, nem nunca será ‘um dos nossos’. Já demonstrou a que veio. É mais um dos integrantes do exército reacionário dirigido por Michel Temer, que quer dilacerar os direitos dos trabalhadores e do povo pobre.

    Não existe representatividade sem propostas de defesa dos oprimidos. Um verdadeiro representante dos jovens negros e das LGBTs deveria lutar para ampliar os espaços que nos são negados. Contraditoriamente, sua primeira ação na Câmara, segundo ele mesmo, visa extinguir a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e a Coordenação de Políticas LGBT, setor da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. Que defensor dos oprimidos é esse que quer acabar com alguns dos poucos espaços que debatem as opressões, ainda que insuficientes, por pouco investimento que a Prefeitura anterior destinava?

    Desde 2013, vemos um ascenso do movimento de opressões, que tem colocado a pauta dos oprimidos na prioridade das discussões políticas. A eleição de Fernando Holiday não representa mais que um investimento da elite desse país. A mesma elite que tentou enterrar nossa revolta com a sua repressão, como a que aconteceu com a Parada LGBT de Campinas desse ano, em 26 de junho. O resultado foi uma segunda Parada, mesmo sem o alvará da PM, uma clara demonstração de resistência. A última alternativa dessa elite foi trazer um oprimido para lutar contra nós, para se blindarem com o fato de ele também ser oprimido. Ao não poder barrar com suas formas tradicionais, através dos velhos políticos brancos, não-LGBTs e engravatados, as revoltas dos oprimidos, a elite precisa desenvolver em Fernando Holiday uma figura que sirva de bode expiatório das críticas aos seus ataques.

    Holiday é parte do exército de João Dória, um milionário dono da décima maior mansão de São Paulo, o exército das privatizações e ataque aos oprimidos. Além disso, é aliado de Temer, que é conhecido por não ter nenhum oprimido em seu governo. Esse tipo de representação contradiz os nossos anseios. A representação que queremos é aquela que nos fortaleça para lutar por nossos espaços e por nossos direitos. E isso nos afirma uma vez mais: a tarefa de combater a opressão é uma tarefa de toda esquerda, oprimidos e não-oprimidos. Enquanto Fernando Holiday jorra seu discurso de ódio, nós oprimidos continuaremos nas lutas.

  • Polícia reintegra escola Newton Pimenta e leva estudantes para delegacia, em Campinas

    Por: Caue Campos, de Campinas, SP

    De forma truculenta e sem nenhuma negociação, a Polícia Militar de Alckmin reintegrou, agora de manhã, a escola estadual Newton Pimenta Neves, em Campinas, São Paulo. Os estudantes dormiam na ocupação, quando foram surpreendidos com a presença do batalhão de choque, que de forma violenta levaram os secundaristas de ônibus para a 2° Delegacia Seccional da Polícia Civil.

    Os estudantes ocupavam a escola desde terça-feira (11) contra a Reforma do Ensino Médio de Michel Temer, contra a PEC 241 e por reformas específicas na escola.

    Ativistas de diversas organizações estão em frente  delegacia para acompanhar os secundaristas. É fundamental que todos que puderem vir à delegacia prestar solidariedade compareçam. Toda solidariedade aos estudantes do Newton Pimenta. É fundamental prestar toda força à luta dos secundaristas, dizer não à Reforma do Ensino Médio e à PEC 241 e lutar pelo Fora Temer.

    Estudantes falam em entrevista ao Esquerda Online


    Estudantes se concentram em frente à delegacia