Líder trotskista é solto da prisão no Egito

Por Bruno de Matos Sá, São Paulo (SP)

A corte penal de Giza – um dos distritos da capital egípcia – concedeu, este sábado, liberdade condicional ao advogado do movimento dos trabalhadores e dirigente da organização Socialistas Revolucionários, Haytham Mohamadein. Preso pelo crime de “integrar uma organização clandestina e tentar derrubar o governo”, o ativista foi capturado pela ditadura do general Sisi poucos dias antes da realização de uma manifestação que ajudava organizar.

O protesto, contra a entrega de duas ilhas egípcias à Arábia Saudita, ocorreu dia 25 de Abril. Ele foi duramente reprimido por forças paramilitares ligadas ao Ministério do Interior.

Localizadas no golfo de Aqaba, no mar vermelho, Tiran e Sanafir tornaram-se símbolos do entreguismo do atual governo frente ao grande capital saudita. Apesar de desertas, as ilhas são de grande importância estratégica-militar. Elas se localizam na entrada do golfo, cujo entorno é composto pelo Egito, Arábia Saudita, Jordânia e Israel.

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Durante o período anterior à guerra de 1968, em que os israelenses conquistaram a península do Sinai e as ilhas de Tiran e Sanafir dos egípcios, o presidente Gamal Abdel Nasser usou aquela posição militar para impedir a circulação de navios de Israel no oceano indico.

Riad, polo da reação

Garantidor financeiro da ditadura, os sauditas têm se proposto a bancar a ofensiva contrarrevolucionária em todo mundo árabe frente ao levante popular iniciado em 2011. A entrega de território nacional pelo governo do Cairo, como contrapartida ao apoio da monarquia saudita, porém, evidencia a grande fraude que é  o discurso supostamente patriótico e anti-imperialista de Sisi.

O tema tem gerado polêmica até mesmo entre os diferentes setores do próprio estado egípcio. A Alta Corte Administrativa, uma espécie de suprema corte local, julgará este mês a legalidade da entrega do território marítimo.

Assim como Mohamadein, Hamdi Qeshta, ativista do grupo 6 de Abril que participou da derrubada de Hosni Mubarak, também foi solto pela corte penal. Ao contrário da maioria dos presos no protesto contra o entreguismo de Sisi, Qeshta também teve sua prisão continuamente estendida pela promotoria.

 

FOTO: Haytham erguendo a bandeira da organização Socialistas Revolucionários durante a primeira invasão à embaixada israelense no Cairo; arquivo pessoal

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