Eleições 2016: Rápida e “supostamente” indolor

Por Janaína Oliveira, colunista do Esquerda Online

Dessa vez foram 45 dias. Mal acabou o impeachment da presidenta Dilma e os municípios brasileiros entraram no clima Sílvio Santos – ♪♫ Ritmo, em ritmo de festa! ♪♫. Brincadeiras à parte, a verdade é que o último sentimento que existia no Brasil neste domingo foi de alegria. Para surpresa, apenas da imprensa, o grande vencedor das eleições foi o não-voto, mesmo porque sair de casa para votar no menos picareta não é um programa que motiva muito.

Para se ter uma ideia, somado todos os números percentuais de brancos e nulos das capitais brasileiras temos mais de 325% de pessoas que não votaram em nenhum candidato nestas eleições municipais. De acordo com a matéria da Agência Brasil publicada na madrugada desta segunda-feira (3), em nove capitais a soma das abstenções, brancos e nulos nas cidades teve mais adesão do que a votação dos primeiros candidatos. Sério, o candidato não-voto ganhou as eleições no 1º turno!  Pena que esses votos não são considerados “válidos”, embora represente muita coisa.

A capital paulista ganhou medalha de ouro e bateu recorde em abstenções, brancos e nulos. A maior em comparação com as últimas seis eleições municipais. Não foram às urnas quase 2 milhões de pessoas e olhe que nem dá para dizer que em São Paulo, na terra onde ocorreram as manifestações mais polarizadas entre o ex-governo e a direita, ninguém tá nem aí pra política.

No Rio de Janeiro o melhor mesmo foi o Freixo/ PSOL no segundo turno [ \o/ Muito bom hein, excelente! rsrsrs]. O gritante número de não-votos (1.866.621 mais precisamente, enquanto o reaça do Crivella/ PRB teve 842.201), na cidade que protagonizou as greves e manifestações mais quentes da temporada, revela um grande desinteresse pelos políticos e não pela política. Aliás, esse novo jeito de fazer política é o que tem resgatado um pouco do entusiasmo daqueles que lutaram de maneira independente contra os ataques dos governos, e agora somam forças entorno da candidatura do Freixo.

Mas nem tudo é alegria, na verdade como dito acima a sensação é mesmo de derrota. Entre os cariocas 424.307 apertaram a tecla verde em favor do “prefeiturável” Flávio Bolsonaro/PSC, que ficou em 4º lugar. O seu irmão, Carlos Bolsonaro, foi o vereador mais bem votado na capital.  Em São Paulo o Fernando Holiday, como bom auxiliar de Casa-Grande, se elegeu pelo DEM. Ele e seus coleguinhas do MBL conseguiram eleger neste domingo oito candidatos, sendo um deles para prefeito no interior de Minas Gerais. E até Lobão/PR, conhecido produtor de filmes pornô, foi o vereador mais bem votado em Maceió. A lista é longa, bem longa…[1]

E nem mesmo toda a campanha pela ampliação da participação das mulheres na política foi suficiente para equilibrar a composição de gênero entre os eleitos para assumir às prefeituras. Apenas uma prefeita foi eleita, Teresa Surita/PMDB em Boa Vista/ RR. (Sim, PMDB. Que bad!). Entre as vereadoras, Amanda Gurgel/ MAIS apesar de ser a segunda mais votada em Natal, não foi eleita devido ao coeficiente eleitoral. Os inúmeros obstáculos colocados para a reeleição da candidata foram agravados pela recusa do PSTU a conformação da Frente de Esquerda na capital potiguar.

Homens brancos, poderosos e milionários. Alguma novidade?!

Tem político que diz que não é político. Então por que mais da metade das cidades do país serão governadas por prefeitos milionários? Já viu rico fazer caridade? Eu também não! Em Betim/MG está o prefeito mais rico, portador de uma pequena fortuna de R$352.572.936,23 o Vittorio Medioli/PHS. Em seguida acompanha o eleito prefeito de São Paulo, João Dória/ PSDB com R$179.765.700,69! E olha que ele é trabalhador, é gestor…Só não é político! (#SQN). E direto das catacumbas do reacionarismo brasileiro o terceiro colocado, ACM Neto/DEM, detentor de R$27.886.721,62. Isso é só o que foi declarado, DECLARADO AO TSE!

A política brasileira não surpreende ninguém, não é mesmo? A maior concentração de prefeitos de conta tipo “ostentação” estão localizados entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. Seria uma reedição da “política do café com leite”? Do jeito que vai a política no Brasil não seria uma novidade retornamos para fins do séc. XIX.

Calma! Antes que você pense em sair do Brasil ou se matar, saiba que ao contrário deles, nós podemos surpreendê-los! Esse deve ser o nosso combustível, a ousadia de unificar a nossa indignação e tomar o futuro do país em nossas mãos. Nesse caminho sem GPS não existe receita pronta, mas até o momento as pistas apontam para o Rio de Janeiro…Vamô?

[1] (Escreva mais algum bizarro que se elegeu na sua cidade nos comentários! Temos que fazer uma bela lista de horror!).

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