Greve bancários: nem abono, nem acordo de dois anos

Negocia Temer, negocia Fenaban

Por: Carine Martins, de Belo Horizonte, MG

Nesta quarta-feira (28), completam 23 dias de mobilização, mas os banqueiros e o governo estão armando uma arapuca para os bancários, abono, ou acordo de dois anos. Nenhuma dessas proposta nos favorece.

O abono não incorpora no salário, FGTS, aposentadoria. Foi assim que FHC achatou os salários dos bancários em quase 100% nos bancos públicos. Por sua vez, acordo de dois anos significa que, no ano que vem, não tem campanha salarial, nem greve. Isso é uma tentativa dos banqueiros já de um tempo, de fazer acordo que valha para dois anos e controlar a nossa luta. Em tempos de Michel Temer (PMDB), isso significa desmobilizar a categoria e deixar o caminho livre para ataques por dois anos.

Os bancários fazem greve todos os anos desde 2003, após fortes ataques de FHC. Fazem greve porque sabem que sem greve não tem melhorias de bandeja. Sem falar que a greve não é só por índice. É por demanda específica por bancos. O BB e a CEF podem se aproveitar para surfar nesse longo período sem negociação.

Acho que agora é hora de todo mundo ajudar, ampliando a greve e as assembleias, pois se for fechado acordo de dois anos, será um golpe, um ataque inédito aos bancários.

Infelizmente, não é só isso. Prestem atenção. Não vi nenhum sindicato dizendo que isso é um absurdo. O sindicato de Brasília até fala “Aceitamos debater a possibilidade de acordo de dois anos, mas dependerá da proposta que for apresentada”.

A CONTRAF/CUT precisa dizer, categoricamente, que proposta de dois anos é inegociável. Greve é um direito, não é um acordo.

Não deixem que decidam por vocês. Agora é hora de estarmos todos nas assembleias para dizer o que pensamos. Conversar com os colegas e definir os rumos da categoria. Se a gente deixa para última hora, vamos ser derrotados pela assembleia de gerentes.

Foto: Brayan Martins/ PMPA

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