Entrevista com Martin Domecq, diretor da leitura dramática ‘GAZA 2018’, em Salvador

Por Joallan Rocha, de Salvador, BA

“A indiferença é o peso morto da história […] Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes”.

Antonio Gramsci

Territórios Ocupados. A tragédia dos refugiados. Bombardeios. Bloqueio econômico. Presos políticos. Esse é o cotidiano de milhões de palestinos nos territórios de Gaza e Cisjordânia, ocupados pelo estado genocida de Israel. O drama palestino, retratado na leitura dramática ‘Gaza 2018′, do diretor argentino Martin Domecq, estreou no Teatro Vila Velha, na cidade de Salvador.

A leitura gira em torno da história de quatro jovens palestinos, sobreviventes dos ataques israelenses na Faixa de Gaza em 09 de julho de 2014. O ataque israelense ocorreu na praia de Gaza, no momento em que as crianças jogavam futebol. Em memória das crianças assassinadas por mísseis, os jovens buscam justiça e planejam uma ação durante a copa do mundo de 2018.

Os diálogos são enriquecidos pela projeção das fotografias de Rogerio Ferrari, que esteve na Palestina em 2002, logo após a Segunda Intifada. As fotografias, reunidas no livro ‘Palestina: A Eloquência do Sangue’, foram tiradas nos campos de refugiados de Qalandia e Mari, em Ramallah, Hebron e Belém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Gaza 2018 é um grito contra a indiferença e um chamado à solidariedade internacional com o povo Palestino.

Abaixo, reproduzimos uma breve entrevista com o diretor Martin Domecq:

JR- Martin nos comente um pouco sobre o seu trabalho?

Martin Domecq –  Eu moro no Brasil há quatro anos. Sou argentino. Me formei em filosofia, mas também faço teatro há muito tempo. Esse projeto surgiu porque eu estava colaborando com o teatro Vila Velha na criação de uma Universidade Livre. Em 2014 foi a Guerra em Gaza e eu propus a um grupo que estava estudando aqui no Teatro conduzir uma pesquisa sobre esse tema. Então começamos a nos reunir, ver vídeos, notícias, fizemos um perfil no Facebook, uma espécie de agência de notícias sobre a situação em Gaza. Então recebemos muitas informações de campo. Fizemos essa pesquisa, depois me tomei um tempo para elaborar um roteiro das coisas que havia encontrando no caminho.

JR- Qual a mensagem que a Leitura Dramática ‘Gaza 2018’ procura passar?

Martin Domecq: Eu acho que a leitura quer trazer uma perspectiva que nos países ocidentais não ouvimos nunca, que é a perspectiva dos oprimidos desse lado do mundo. Nós escutamos o discurso de Israel, escutamos o discurso dos EUA, escutamos o discurso da Europa, mas nunca damos o microfone para os palestinos. Nessa peça alguns dos textos que os atores falam são testemunhos de palestinos. Se você ver o texto estão as citações de onde foram recolhidos. As cartas, são cartas reais escritas durante a guerra de 2014. O testemunho do refugiado, é a história de milhares de palestinos. A carta final é um documento real. Então, todo esse discurso de “se você defende a causa palestina é antissemita” cai completamente. Estamos mostrando que sobreviventes do holocausto condenaram essa guerra, condenam a ocupação e falam sempre isso, “Não em nosso nome”.

Foto: Rogerio Ferrari (https://rogerioferrari.wordpress.com/)

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