Seca no Nordeste: o caso de Itabuna, BA

Por: Elisa Gonçalves, de Camaçari, BA

Não é novidade que em vários períodos do ano há seca em estados brasileiros, um grande problema que atinge principalmente o Nordeste do Brasil, e o de Minas Gerais, causado, entre outros fatores, pela falta de chuva nessas regiões. A seca no Nordeste se concentra em uma área conhecida como Polígono da Seca, que envolve os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Por mais que a falta de chuva seja um dos determinantes para a manutenção da seca, não podemos naturalizar esse processo natural como o único responsável pela falta de água e irregularidades na distribuição.

No município de Itabuna, Sul da Bahia, a falta de água deixou de ser uma ameaça e passou a ser a realidade da maioria da população desde dezembro de 2015, o que obrigou a prefeita de Vane (PRB) e o vice, Wenceslau (PCdoB), a decretar estado de emergência na cidade. Atualmente, a situação está parcialmente resolvida, mas para chegar a isso, trabalhadoras, trabalhadores e a população atingida travaram grande batalha. Funcionários da Emasa, empresa de abastecimento local, entraram em greve e ocuparam a Câmara contra a privatização da empresa.

Os períodos de seca no Nordeste e esse caos instaurado em Itabuna podem ser evitados ou minimizados com o planejamento de abastecimento feito pelo poder público. Quando aumenta o consumo de água em determinadas regiões, devido ao crescimento populacional, os investimentos também devem aumentar. A saída que a Prefeitura de Itabuna deu, assim como é a saída que várias prefeituras e governos estaduais e federal apontam, foi a privatização da Emasa, através de Parcerias Público Privadas (PPPs), deixando evidente que a prioridade não é a de garantir um serviço público de qualidade que atenda a maioria da população, mas sim favorecer uma minoria que não sente o que é a crise hídrica, só ouve falar.

Além da falta de investimento para o abastecimento de água, governos e prefeituras jogam a culpa dessa crise nas costas dos trabalhadores. Impõem a economia de água, fazem contingências, cortes e escalas por bairros para o abastecimento, que deixa de ser diário. Tiram o direito a uma qualidade de vida mínima, fazem pagar contas de água altíssimas e ainda apontam que esse problema só vai ter solução se cada pessoa fizer sua parte. Foi assim em Itabuna e foi assim na última crise hídrica em São Paulo.Cadê a responsabilidade das grandes empresas que além de gastar milhares de litros de água diários em suas atividades de produção, contam com isenções fiscais? Qual é o preço que elas pagam?

Além da população, o Meio Ambiente paga um preço bastante caro com a falta de planejamento do abastecimento de água e seu devido tratamento. Um dos piores desperdícios de água vem com o desmatamento da mata ciliar e a poluição dos rios. Outro grande problema que favorece o desperdício de água é a falta de saneamento básico nos bairros, a falta ou precária rede de tratamento de esgoto e destino e tratamento de resíduos sólidos.

Além da falta e de qualidade da água fornecida precariamente nesse período de seca, algumas pessoas chegaram a pagar cerca de R$ 100,00 por litro para consumir uma água em melhores condições. As filas para pegar um balde de água eram enormes e mesmo depois de enfrentá-las, não era garantido que fosse cheio.

Dois gestores da Emasa foram presos em junho por suspeita de desviar água doce, usar equipamentos da empresa para favorecimento próprio e desvio de dinheiro. O governador do Estado Rui Costa (PT) montou um grupo técnico para estudar a estadualização da empresa, que é municipal, sem a participação do sindicato local e sem participação da população.

Foto: Rio cachoeira, em Itabuna, BA, sofre com a seca

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