A dois meses das Eleições nos EUA, Hillary segue à frente de Trump

Paulo Aguena, de São Paulo, SP

Faltam dois meses e meio para a eleição presidencial nos Estados Unidos, o mais importante país imperialista do mundo. Sem dúvida, o resultado dessa eleição incidirá sobre o futuro de todos os povos do planeta.

Uma pesquisa divulgada pela Reuters/Ipsos na terça passada, 23, Indica que a candidata pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, ex-secretária de estado dos EUA, segue na dianteira. Apesar de que num primeiro momento o apoio ao candidato republicano e empresário nova iorquino, Donald Trump, tenha surpreendido, na maior parte da campanha a democrata esteve à frente. No início de agosto a diferença a favor de Hillary variava entre 3% a 9%.

Com uma margem de erro de 3%, a nova pesquisa aponta 45% contra 33% a favor de Hillary, com 22% de indecisos. Assim, ela abre 12 pontos de vantagem sobre Trump. Ganharia tanto na disputa nacional, quanto nos chamados “Estados-pêndulo”, cuja preferência varia a cada eleição (veja abaixo matéria sobre sistema eleitoral nos EUA). Ela tem vantagem [inclusive] nos três estados considerados mais importantes: Flórida, Ohio e Virginia. Com isso ela conquistaria 19 dos 50 estados do país, mais o Distrito de Columbia. Isso lhe garantiria 268 votos no Colégio Eleitoral.

Pela pesquisa, Trump venceria em mais Estados. Ao todo seriam 21. Ocorre que são estados menos populosos. Isso lhe daria 179 votos no Colégio eleitoral.

Assim, a pesquisa indica que se a eleição fosse hoje Hillary teria 95% de chances de vencer. No entanto, é cedo para afirmar que a eleição já está definida. A disputa ainda está acirrada em dez estados, sendo que oito aparecem empatados, incluindo Pensilvânia, Michigam, Carolina do Norte.

Lembremos que o sistema eleitoral americano é complexo. Suas características, aliadas ao alto grau de autonomia das leis eleitorais de cada Estado produz situação inusitadas. O próprio resultado das eleições varia de ano a ano. Em 2000, por exemplo, devido às polêmicas das contagens dos votos na Flórida, levou a que apuração demorasse mais de um mês . Já em 2008, devido à boa vantagem de Barack Obama em muitos Estados, o democrata já era o presidente eleito no final do dia da votação.

Nesta reta final, boa parte da expectativa dos republicanos para reverter a atual tendência se concentra em duas frentes. De um lado, nas denúncias de corrupção em que Hillary estaria envolvida. É acusada de se utilizar do cargo de Secretária de Estado para intermediar favores e doações para a Fundação Clinton. Mas o principal alvo dos republicanos são os e-mails de Hillary. Ela utilizou sem autorização um provedor privado (@clintonemail) ao invés do oficial (@state.gov) para tratar de assuntos de Estado, sem a autorização.

Os republicamos tem se aproveitado disso principalmente desde o episódio da morte do embaixador norte-americano na Libia, Christopher Stevens. Junto a outros três outros diplomatas, Stevens morreu após um ataque da Al Qaeda ao consulado americano de Benghazi (a segunda maior cidade Líbia) ocorrido dia 11 de setembro de 2012. O tema dos e-mails tornou-se um escândalo a partir da CPI de Benghazi, organizada em 2014 pelos republicanos. Ela investigava supostos erros do Departamento de Estado americano (ministério de Relações Exteriores) em torno ao atentado, quando então Hillary Clinton estava à frente do Departamento como Secretária de Estado. A utilização dos e-mails privados durante o episódio quebrou os procedimentos de segurança digital.

Logo se descobriu que a quebra desse procedimento era comum. Hillary terminou entregando mais 30.322 mensagens ao FBI. Em 5 de agosto último o FBI não recomendou seu indiciamento, mas a advertiu-a por ser “descuidada”. Os republicanos não se contentaram com a decisão. Em outubro próximo cerca de 1.500 e-mails particulares de Hillary deverão vir a público.

 

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